A empresa de tecnologia da informação 3Structure IT, investigada pela Polícia Federal (PF) por suspeita de ter sido beneficiada por suposto lobby do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mantém contratos com o governo federal que somam R$ 81.193.808,61.
Segundo a investigação, Lulinha teria atuado na prospecção de negócios da empresa junto à administração pública. Ao todo, a 3Structure IT possui seis contratos com órgãos federais, dos quais cinco foram firmados durante o atual governo. Apenas um deles foi celebrado na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A maior parte dos acordos foi precedida por processo licitatório e tem como objeto o fornecimento de soluções de tecnologia da informação, incluindo serviços de backup, infraestrutura de armazenamento, softwares e suporte técnico especializado.
Contratos firmados com o governo
O primeiro contrato foi assinado em 23 de novembro de 2022 entre a empresa e o Exército Brasileiro. O acordo previa a contratação de uma solução de tecnologia da informação para backup, incluindo equipamentos, softwares e serviços destinados à ampliação da infraestrutura do Sistema de Telemática do Exército (SisTEx). O valor inicial foi de R$ 21.831.010,73.
Em 5 de dezembro de 2023, a empresa foi contratada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome para executar serviços de sustentação e migração do ambiente analítico de dados da pasta. O contrato, inicialmente firmado em R$ 31.178.999,88, recebeu posteriormente um termo aditivo, elevando o valor para R$ 33.881.499,78.
Já em 8 de abril de 2024, a 3Structure IT firmou contrato com o Ministério da Educação (MEC), por meio do Instituto Nacional de Educação de Surdos, para prestação de serviços relacionados a backup, restauração e recuperação de desastres. O acordo foi firmado por R$ 177.604,76.
Em 9 de abril de 2026, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) contratou a empresa para fornecer ativos de rede e softwares de gestão de tecnologia da informação. O contrato foi celebrado pelo valor de R$ 2.465.821,00.
Poucos dias depois, em 24 de abril de 2026, a empresa assinou um novo contrato com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social para implementação de uma nova solução de backup, com suporte técnico especializado. O valor do acordo foi de R$ 19.259.936,28.
Em 23 de julho de 2026, o contrato firmado com o Exército em 2022 recebeu um aditivo de até 25%, acrescentando R$ 3.577.936,11 ao valor original. Com isso, o montante total do contrato passou para R$ 25.408.946,88, com vigência até novembro de 2027.
PF investiga suposto tráfico de influência
No dia 30 de julho, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um segundo inquérito contra Fábio Luís Lula da Silva.
A nova investigação busca apurar suspeitas de tráfico de influência envolvendo contratos da Dataprev e outros órgãos públicos.
De acordo com a Polícia Federal, a apuração envolve a relação entre Lulinha e Cléber Ribas de Oliveira, sócio da 3Structure IT. Os investigadores suspeitam que o empresário buscava obter contratos com órgãos federais e que teria custeado, ao menos parcialmente, uma viagem do filho do presidente em troca de facilidades para acesso ao governo.
A investigação identificou que Lulinha e Ribas viajaram juntos para Foz do Iguaçu em 15 de dezembro de 2024 utilizando o mesmo localizador de voo, elemento que, segundo a PF, pode indicar que o empresário arcou com as despesas da viagem.
Defesa ainda não se manifestou
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva foi procurada para comentar as investigações, mas não havia se pronunciado até a publicação da reportagem.
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República também não respondeu aos questionamentos encaminhados.
A reportagem igualmente tentou contato com a 3Structure IT, mas informou que não conseguiu localizar canais de comunicação válidos da empresa até o fechamento do texto. Caso haja manifestação das partes citadas, a matéria poderá ser atualizada.
