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Início Brasil

Eleições: Primeiro debate presidencial de 2026 é marcado por críticas a Lula e Flávio Bolsonaro, que não compareceram, VEJA

Por Junior Melo
24/ago/2026
Em Brasil, Eleições, Política
São Paulo (SP), Canditados durante o 1° Debate entre candidatos a Presidência da República as dependências da TV BAND. Foto: Maria Isabel Pimenta — Foto: Maria Isabel Oliveira

São Paulo (SP), Canditados durante o 1° Debate entre candidatos a Presidência da República as dependências da TV BAND. Foto: Maria Isabel Pimenta — Foto: Maria Isabel Oliveira

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O primeiro debate entre candidatos à Presidência da República em 2026 foi realizado neste domingo (23), às 20h, em São Paulo, pela TV Bandeirantes. Apesar de convidados, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) não participaram do encontro.

Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) foram os candidatos presentes no debate.

Antes do início do evento, Augusto Cury chegou a anunciar que não participaria. Na porta da sede da Band, o candidato criticou a ausência dos principais nomes da disputa.

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“Acho uma irresponsabilidade porque os principais atores para discutir a nação não estão aqui. É uma falta de respeito com os brasileiros”, afirmou à jornalistas na porta da TV Bandeirantes. “Não vou pparticipar, isso é um teatro”, completou.

Pouco depois, Cury reconsiderou a decisão e optou por permanecer no debate. Segundo ele, a mudança ocorreu “em respeito” à emissora.

A ausência de Lula já era esperada pela campanha do petista. Segundo informações divulgadas anteriormente, auxiliares do presidente indicavam que a possibilidade de participação no primeiro debate era pequena.

No caso de Flávio Bolsonaro, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, defendeu que o candidato participe apenas de debates que também tenham a presença de Lula. A campanha de Romeu Zema, por sua vez, atribuiu a ausência do candidato ao não comparecimento do presidente.

Com apenas três candidatos no estúdio, o debate foi marcado por críticas aos adversários que não compareceram e ao governo atual. Segurança pública e educação estiveram entre os principais temas discutidos.

Chegada dos candidatos

Renan Santos foi o primeiro candidato a chegar à sede da Band. Em seguida, Ronaldo Caiado chegou ao local.

Renan aproveitou a chegada para criticar Lula e Flávio Bolsonaro. O candidato levou fraldas geriátricas com os nomes dos dois adversários e afirmou que eles deveriam ter participado do encontro.

“Vou apresentar as fraldas deles aqui, ambos deveriam ter vindo com elas. Dois fracassados, dois medrosos, […] quero deixar bem claro que esses caras estão fugindo do debate e alegaram que não estão vindo por minha causa”, disse aos jornalistas.

Caiado também criticou a ausência dos dois adversários e os chamou de “dois fujões”.

“Dois fujões não estão presentes.Não é possível que o eleitor brasileiro não se sinta decepcionado, desrespeitado pela ausência dos que tem nao tem nada a mostrar e mto a esconder”, disse o ex-governador.

Primeiro bloco

Na primeira parte do debate, segurança pública e educação concentraram as discussões. Os candidatos apresentaram propostas e também fizeram críticas à situação do país.

Renan Santos afirmou que pretende intervir em estados nos quais os governadores não atuem contra o crime organizado. Ele citou Ceará e Bahia, atualmente governados por Elmano de Freitas (PT) e Jerônimo Rodrigues (PT), respectivamente.

“Se os governadores do Ceará e da Bahia forem reeleitos, eu vou fazer uma intervenção caso eles não desejem enfrentar o crime organizado. Essa será a guerra”, disse Renan.

O candidato também afirmou que pretende decretar GLO (Garantia da Lei e da Ordem) em áreas atingidas pelo crime organizado. Entre suas propostas, está ainda a construção de “super presídios”, com capacidade para ampliar em até 500 mil o número de vagas no sistema penitenciário.

Ronaldo Caiado apresentou uma proposta voltada ao combate à violência contra a mulher. O candidato defendeu o confisco dos bens de agressores e a destinação dos valores às famílias de vítimas de feminicídio. Para ele, a medida funcionaria como uma “penalização educativa”.

“A pessoa normalmente agride a mulher porque se acha dono dela. É assim que esse covarde trabalha. Nessa hora, vou apresentar ao Congresso o confisco dos bens deste covarde. Além de ter uma pena ampliada de 20 a 40 anos anos de acordo com o grau da violência, esse cidadão não terá o benefício da diminuição da pena antes de cumprir 90% dela”, afirmou Caiado.

Na discussão sobre educação, Augusto Cury afirmou que estudantes neurodivergentes são excluídos pelo atual sistema de ensino. O candidato também criticou o modelo que chamou de “educação cartesiana” e defendeu mudanças na educação pública.

“Nós precisamos revolucioná-la. Os professores são cozinheiros do conhecimento que preparam o alimento para uma plateia sem apetite devido a uma intoxicação digital e a uma educação cartesiana, onde o professor é um expositor seco e frio”, disse o candidato do Avante.

Segundo bloco

O segundo bloco foi dedicado a perguntas feitas por jornalistas aos candidatos. Segurança pública, jornada de trabalho, relações internacionais e agronegócio estiveram entre os assuntos abordados.

Ronaldo Caiado criticou a atuação do Itamaraty e afirmou que o governo atual é conivente com organizações criminosas e “se ajoelhou para o crime”.

O candidato defendeu o uso de inteligência artificial, o treinamento dos batalhões e uma maior integração entre as forças de segurança. Também afirmou que os governadores devem ter autonomia na administração da segurança pública.

Renan Santos comentou a resposta de Caiado e acusou o PT de concentrar poder sobre a segurança pública.

“O PT tem uma volúpia por poder. O PT quer concentrar o exercício da violência nas mãos dele. Não para atacar bandido. O PT quer segurar a polícia. O PT é inimigo das polícias em todos os estados”, afirmou o candidato.

Caiado também declarou apoio à PEC da Segurança Pública, que tramita no Senado, e criticou a possibilidade de o governo federal condicionar a aprovação da proposta à criação do Ministério da Segurança Pública.

O candidato prometeu ainda construir 40 presídios federais. Segundo ele, unidades estaduais estão sobrecarregadas com integrantes de facções criminosas.

“O Governo Federal joga na mão dos estados e não tem repasse, nem do Fundo Penitenciário, nem do Fundo de Segurança Pública”, criticou.

Na segunda rodada, Augusto Cury respondeu a perguntas sobre as relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. O candidato afirmou que o país não deve assumir uma posição de submissão aos norte-americanos. Também disse que o tarifaço representa “um desespero para resolver as contas públicas” dos Estados Unidos e prometeu reformular as embaixadas brasileiras no exterior.

Terceiro bloco

O terceiro bloco teve novas críticas direcionadas aos candidatos que não participaram do debate. Renan Santos e Ronaldo Caiado fizeram ataques a Lula e Flávio Bolsonaro, enquanto Augusto Cury apresentou propostas para a área de segurança pública.

Renan classificou a ausência dos dois candidatos como um “jogo de cartas marcadas”.

“Isto aqui é um jogo de cartas marcadas, o Lula quer que o Flávio Bolsonaro seja candidato porque o único candidato que o Lula é capaz de vencer é o Flávio. O Flávio é fraco, o Flávio não é inteligente, o Flávio tem gravíssimos déficit cognitivos”, disse o candidato do Missão.

“O Flávio é o aquele cachorrinho que saiu machucado na ninhada. E olha que os irmãos deles são Carluxo, Jair Renan. Então o Lula quer que o Flávio seja candidato. Flávio é envolvido em todos os escândalos de corrupção possíveis. […] No segundo turno, o que eles querem, é fazer uma disputa para ver quem é mais amigo do Daniel Vorcaro, nós não podemos permitir isso. Eles estão fugindo como cadelas”, completou.

Caiado utilizou o título da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, “Dark Horse”, para fazer referência à ausência de Flávio. Para criticar a falta de Lula, o candidato utilizou o termo “Dark Lobby”, em referência às investigações envolvendo Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger.

“Por que eles não vêm ao debate? Como é que eles vão explicar? Num primeiro momento eu disse: ‘Olha, Flávio, explique o que estão denunciando e falando a seu respeito’. Ele realmente não deu satisfação, não explicou o Dark Horse. […] E o Lula tem o ‘Dark Lobby’. É a Roberta [Luchsinger] e também o Lulinha, que é o artista deste filme”, disse Caiado.

Augusto Cury apresentou a proposta de criação de uma nova força voltada ao combate ao crime. O candidato também classificou o Estado como “desorganizado” na área de segurança.

“Eu quero criar, a ‘polícia foco’, 5% da força de trabalho de todos os municípios convertidos numa polícia de combate. Vamos acrescentar mais 400 mil policiais que serão treinados pela elite dessas forças de segurança. Assim, de fato, vamos ter um ecossistema tão poderoso que vamos chegar antes do crime. Pior do que, reitero, o crime organizado é um estado desorganizado”, disse o candidato do Avante.

Cury também defendeu o aumento do efetivo da Polícia Federal e afirmou que a instituição sofre “interferência política”.

“Nós temos que incorpar, valorizar, trabalhar a nossa Polícia Federal, que na minha opinião é uma das melhores polícias federais do mundo. O FBI tem 38 mil policiais. A nossa polícia tem menos de 15 mil e faz todo o trabalho que tem de maneira heróica, mas não pode ter interferência política como está tendo”, afirmou.

Estrutura e regras do debate

O formato do debate previa, inicialmente, rodadas com perguntas iguais para todos os candidatos. Nessa etapa, cada presidenciável teria dois minutos para apresentar suas propostas.

Nas perguntas feitas por jornalistas e nos confrontos entre os candidatos, quem formulasse a pergunta teria até um minuto. O candidato questionado teria quatro minutos para responder, incluindo eventuais momentos de réplica e tréplica.

A ordem de posicionamento dos candidatos no estúdio foi definida por sorteio realizado pela emissora, com a participação de assessores e coordenadores das campanhas.

A disposição definida foi, da esquerda para a direita, Renan Santos na primeira bancada, seguido pelo presidente Lula e pelo senador Flávio Bolsonaro. Depois estavam Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Romeu Zema.

As posições destinadas aos candidatos que não participaram do debate permaneceram vazias.

Pelas regras eleitorais, podem participar dos debates os candidatos pertencentes a partidos que tenham pelo menos cinco parlamentares no Congresso Nacional, desde que o registro de candidatura esteja deferido.

O número de participantes e as demais regras são definidos em acordo entre os partidos e a emissora, com comunicação à Justiça Eleitoral.

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