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Início Economia

Desdolarização: BRICS avança na criação de sistema financeiro independente, VEJA DETALHES

Por Junior Melo
27/ago/2026
Em Economia, Mundo
AFP/ ALET PRETORIUS

AFP/ ALET PRETORIUS

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Os países que integram o Brics discutem novas formas de facilitar pagamentos internacionais e ampliar o uso de moedas locais nas transações comerciais. Entre as propostas em análise está a possível integração dos sistemas de pagamentos rápidos dos países-membros e das moedas digitais emitidas por bancos centrais, conhecidas pela sigla CBDC.

O tema foi confirmado neste mês pelo presidente do Banco Central da Índia, Sanjay Malhotra. Segundo ele, diferentes alternativas estão sendo avaliadas pelo grupo, incluindo a conexão entre sistemas de pagamentos instantâneos e as moedas digitais dos bancos centrais. A intenção é reduzir custos e facilitar operações transfronteiriças.

A discussão ocorre durante a presidência indiana do Brics e deve fazer parte das negociações do grupo ao longo de 2026. Apesar do avanço das conversas, ainda não existe um sistema único de pagamentos do Brics em funcionamento. As propostas permanecem em fase de avaliação.

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Integração dos sistemas de pagamento

A ideia é aproveitar estruturas que já existem nos próprios países. O Brasil, por exemplo, possui o Pix, enquanto a Índia utiliza o sistema UPI. A China também conta com uma infraestrutura digital de pagamentos desenvolvida.

Uma eventual conexão entre esses sistemas poderia facilitar transferências internacionais e reduzir etapas intermediárias nas operações entre empresas e consumidores dos países participantes.

Outra possibilidade discutida envolve as CBDCs, moedas digitais emitidas pelos bancos centrais. A Índia vem defendendo que a integração dessas tecnologias seja incluída na agenda do Brics.

O Banco Central indiano também informou que continuará trabalhando para ampliar o uso da rupia em operações internacionais e estimular pagamentos e comércio realizados em moedas locais.

Redução da dependência do dólar

O debate sobre os sistemas de pagamentos está relacionado a uma discussão mais ampla dentro do Brics: aumentar o uso de moedas nacionais no comércio entre os integrantes e diminuir a necessidade de utilização do dólar em determinadas operações.

Isso não significa, porém, que o bloco tenha criado uma moeda própria para substituir o dólar. A proposta de uma moeda comum chegou a ser discutida anteriormente, mas não avançou como um projeto concreto de implementação.

O interesse por alternativas ganhou força especialmente após as sanções impostas à Rússia e as restrições ao acesso de instituições russas a partes da infraestrutura financeira internacional.

A busca por mecanismos próprios também inclui propostas de criação de estruturas que permitam realizar pagamentos internacionais com menor dependência de sistemas financeiros ocidentais. No entanto, diferentes iniciativas estão em estágios distintos e não devem ser tratadas como um único sistema já consolidado.

China tem papel central

A China ocupa posição importante nesse processo devido ao tamanho de sua economia e ao desenvolvimento de sua infraestrutura financeira digital.

O país possui o yuan digital, também conhecido como e-CNY, e vem realizando testes para ampliar o uso da moeda digital em diferentes situações. Pequim também busca aumentar a utilização do yuan em operações comerciais internacionais.

A internacionalização da moeda chinesa, entretanto, ocorre de maneira gradual. O governo chinês mantém controle sobre sua política monetária e não sinaliza uma substituição imediata do dólar no comércio mundial.

Brics busca ampliar alternativas

Além da integração dos sistemas de pagamentos, os países do Brics vêm discutindo formas de fortalecer transações realizadas em moedas nacionais.

A iniciativa ganhou relevância diante das mudanças no sistema financeiro internacional e do aumento das tensões comerciais entre grandes economias.

Ao mesmo tempo, o dólar continua sendo a principal moeda utilizada nas reservas internacionais e nas transações globais. Portanto, as iniciativas do Brics representam uma tentativa de ampliar alternativas, e não uma substituição imediata da moeda norte-americana.

Estados Unidos acompanham movimento

A busca do Brics por mecanismos financeiros alternativos também provoca reação em Washington. O presidente Donald Trump já ameaçou impor tarifas de até 100% contra países do bloco caso eles adotassem medidas para substituir o dólar como principal referência monetária.

No caso brasileiro, as relações com os Estados Unidos também passaram por tensão comercial em 2026. Em julho, o governo norte-americano anunciou uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros. A investigação conduzida pelos Estados Unidos citou, entre outros pontos, questões relacionadas ao comércio digital e aos serviços de pagamentos eletrônicos.

Apesar das disputas, o dólar permanece dominante no sistema financeiro internacional. As discussões dentro do Brics indicam, portanto, uma tentativa de aumentar a autonomia dos países-membros em pagamentos internacionais e ampliar o espaço para moedas nacionais, sem que exista atualmente uma ruptura com o sistema financeiro baseado na moeda norte-americana.

Com informações de clnoticias

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