O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou nesta quinta-feira (13) que organizações classificadas pelo governo norte-americano como terroristas podem ser alvo de operações dos Estados Unidos na América Latina. A declaração foi feita no Panamá e pode ter implicações para grupos brasileiros como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
Hegseth foi questionado sobre a possibilidade de os Estados Unidos realizarem ações militares contra grupos armados que atuam na Colômbia, país que recentemente aderiu à coalizão Escudo das Américas.
Ao responder, o chefe do Pentágono confirmou que dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e integrantes do Exército de Libertação Nacional (ELN) poderiam ser alvos de operações. Ele também afirmou que outras organizações classificadas como terroristas pelos Estados Unidos podem entrar na mira de eventuais ações realizadas em parceria com governos da região.
“Organizações terroristas designadas com governos parceiros serão alvos legítimos do governo dos Estados Unidos, com governos parceiros, incluindo a Colômbia”, declarou Hegseth.
Possível impacto no Brasil
A declaração chama atenção no Brasil porque o PCC e o Comando Vermelho estão entre as organizações classificadas pelo governo norte-americano como grupos terroristas. As duas facções foram incluídas, em maio deste ano, nas categorias de Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT) e Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs).
A classificação aumenta a pressão sobre as organizações e permite a adoção de medidas contra integrantes, financiadores e estruturas ligadas aos grupos. Entre as primeiras consequências estão sanções financeiras, como o bloqueio de bens e ativos sob jurisdição norte-americana.
A possibilidade de operações militares, entretanto, não significa que os Estados Unidos tenham anunciado uma ação contra o PCC ou o Comando Vermelho em território brasileiro. A declaração de Hegseth foi feita no contexto de possíveis operações na Colômbia e mencionou organizações terroristas designadas de forma mais ampla.
Ainda assim, caso Washington amplie suas ações contra grupos classificados como terroristas na América Latina, o tema poderá envolver diretamente o Brasil, já que PCC e CV têm suas principais bases de atuação no território brasileiro.
A classificação das facções como organizações terroristas já havia provocado preocupação e debates sobre os efeitos para a cooperação internacional no combate ao crime organizado. Agora, a possibilidade de ações militares mencionada pelo governo norte-americano acrescenta uma nova dimensão à discussão.
