O general Walter Souza Braga Netto, condenado por tentativa de golpe de Estado, foi chamado para prestar depoimento como testemunha em um processo que investiga um suposto esquema de desvio de armas do Exército no Rio de Janeiro.
Ex-ministro da Defesa e da Casa Civil e candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro (PL) em 2022, Braga Netto está preso no Rio de Janeiro, onde cumpre pena definitiva de 26 anos de prisão.
O general foi indicado pela defesa do tenente-coronel Alexandre de Almeida, que chefiava o setor responsável pela fiscalização de armas e produtos controlados da 1ª Região Militar, responsável pelos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo.
Almeida é acusado de se apropriar de armas entregues ao Exército para destruição ou para retorno à cadeia de suprimentos da instituição. Segundo denúncia do Ministério Público Militar (MPM), parte dos armamentos havia pertencido a militares da reserva ou a integrantes das Forças Armadas já mortos.
De acordo com o Ministério Público Militar, o oficial teria utilizado informações falsas no sistema interno do Exército para ocultar a origem das armas. Os equipamentos seriam registrados em nome dele ou de terceiros e posteriormente repassados a outras pessoas.
Braga Netto comandava a 1ª Região Militar
Os fatos investigados ocorreram entre 2016 e 2018, período em que Braga Netto comandava a 1ª Região Militar.
A defesa de Almeida sustenta que o tenente-coronel atuava seguindo “as diretrizes dos escalões superiores e de ordens diretas de seus superiores hierárquicos”. A estratégia busca contestar a acusação de que ele teria participado conscientemente das irregularidades.
O depoimento de Braga Netto está previsto para 10 de novembro e deverá ocorrer por videoconferência. Apesar da data já estar definida, a realização da oitiva ainda depende de autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela execução da pena do general.
A defesa do tenente-coronel Alexandre de Almeida não foi localizada para comentar o caso.
