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Adeus, “alô”: brasileiros abandonam ligações e preferem áudios, mensagens e emojis

Por Junior Melo
23/ago/2026
Em Tecnologia
Foto: Alexandre Cassiano

Foto: Alexandre Cassiano

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O tradicional telefonema está perdendo espaço na rotina dos brasileiros. Dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) mostram que o tempo médio de chamadas de voz pelas redes móveis caiu para 19 minutos por usuário por mês em 2026, o menor nível da série histórica e 80% abaixo do registrado em 2017.

Enquanto as ligações tradicionais diminuem, aplicativos de mensagens e redes sociais assumem cada vez mais funções de comunicação. WhatsApp, Telegram, Signal e outras plataformas permitem enviar textos, áudios, vídeos, emojis e realizar chamadas de voz e vídeo em um mesmo ambiente.

A mudança acompanha o avanço do consumo de internet móvel. Entre 2017 e 2026, o uso médio mensal de dados passou de 0,47 GB para 6,51 GB por usuário, um crescimento de 1.285%. O aumento reflete a popularização das redes sociais, dos serviços de streaming e dos aplicativos de comunicação.

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Jovens estão entre os que mais evitam ligações

Para parte dos usuários mais jovens, receber uma ligação inesperada pode causar desconforto. A estudante Carol Kimus, de 18 anos, afirma preferir mensagens porque consegue pensar melhor no que deseja responder e utilizar recursos como figurinhas e emojis para se expressar.

Ela conta que, quando recebe uma chamada de um número desconhecido, muitas vezes prefere não atender e enviar uma mensagem perguntando o motivo do contato.

O comportamento também está relacionado ao aumento das chamadas indesejadas. Ligações de telemarketing, robôs e tentativas de golpe fizeram com que muitos consumidores passassem a desconfiar de números que não reconhecem.

WhatsApp ganha espaço

Especialistas avaliam que a mudança de hábito começou há cerca de uma década e foi acelerada pela popularização dos aplicativos de mensagens e pela oferta de planos de telefonia com grande volume de dados.

O WhatsApp se consolidou como uma das principais ferramentas de comunicação no país, reunindo mensagens, chamadas de voz e vídeo em uma única plataforma. Com isso, a ligação tradicional deixou de ser a principal forma de conversar à distância.

As próprias operadoras também mudaram sua estratégia. Os planos passaram a valorizar mais a conexão à internet e o consumo de dados, enquanto minutos de voz perderam importância comercial.

Operadoras tentam combater chamadas abusivas

O excesso de ligações indesejadas também levou a Anatel a autorizar mecanismos para identificar e reduzir chamadas potencialmente abusivas, automatizadas ou realizadas em grande escala.

As operadoras passaram a utilizar sistemas capazes de identificar comportamentos considerados suspeitos. Algumas ferramentas utilizam inteligência artificial para bloquear chamadas que apresentam características de telemarketing abusivo ou fraude.

A medida busca recuperar a confiança dos consumidores no telefone. O desafio é impedir ligações abusivas sem bloquear chamadas legítimas.

Voz ainda tem espaço

Apesar da queda nas ligações tradicionais, especialistas não acreditam que a comunicação por voz vá desaparecer. Ela continua importante em situações profissionais, familiares e de emergência, além de ganhar novas possibilidades com recursos de inteligência artificial, como transcrição e tradução em tempo real.

A tendência, portanto, não é o fim da voz, mas uma mudança na forma como ela é utilizada. Em vez de atender qualquer chamada, o consumidor passa a escolher quando quer conversar e qual ferramenta prefere usar.

No celular, o antigo “alô” já não ocupa o mesmo lugar de antes. Para uma parcela crescente dos brasileiros, uma mensagem, um áudio ou até um emoji se tornou a maneira mais natural de iniciar e encerrar uma conversa.

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