A Volkswagen iniciou nesta quinta-feira (9) uma das negociações mais delicadas de seus 89 anos de história. A maior montadora da Europa apresentou um plano de reestruturação que prevê o fechamento de quatro fábricas na Alemanha e a demissão de até 100 mil trabalhadores, provocando uma forte reação de sindicatos e funcionários.
As discussões começaram na sede da empresa, em Wolfsburg, em meio a protestos organizados pelo sindicato IG Metall. Cerca de 400 trabalhadores participaram de uma manifestação, carregando bandeiras e faixas com o lema “Fortes juntos”, cobrando a manutenção dos empregos e o cumprimento de acordos que garantiam a estabilidade dos funcionários e impediam o fechamento de unidades no país.
O plano é liderado pelo presidente-executivo da Volkswagen, Oliver Blume, que busca aprovação do conselho fiscal para uma ampla reestruturação das marcas Volkswagen, Audi e Porsche. A empresa enfrenta um cenário desafiador, marcado pelos altos custos de produção na Alemanha, queda nas vendas de veículos elétricos, avanço da concorrência de montadoras chinesas e novas barreiras tarifárias no mercado internacional.
Fechamento será gradual
Segundo informações divulgadas pela revista alemã Der Spiegel, o encerramento das atividades ocorrerá de forma escalonada ao longo dos próximos anos:
- Zwickau e Emden: produção encerrada gradualmente nos próximos cinco anos;
- Hannover: fechamento previsto para 2032;
- Neckarsulm (Audi): encerramento total das operações em 2034.
Baixa utilização das fábricas
Estudos da consultoria Mobility Global indicam que as fábricas da Volkswagen na Alemanha devem operar com cerca de 81% da capacidade em 2026, percentual que pode cair para 73% até o fim da década.
A situação mais preocupante é a da unidade de Zwickau. Atualmente operando com 88% da capacidade, a previsão é que esse índice caia para apenas 42% até 2030, tornando a manutenção da fábrica economicamente inviável, segundo as projeções.
Em nota oficial, a Volkswagen afirmou compreender a preocupação dos trabalhadores, mas destacou que a redução do excesso de capacidade industrial e a simplificação da estrutura da empresa são medidas consideradas essenciais para garantir a competitividade e a sustentabilidade da montadora no mercado global.