O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta quinta-feira (16) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é responsável pela decisão do governo de Donald Trump de aplicar uma tarifa de 25% sobre parte das importações brasileiras.
A declaração foi feita em uma publicação nas redes sociais, na qual Rubio afirmou que a medida foi adotada após o governo brasileiro, segundo ele, não negociar “de boa-fé” com os Estados Unidos.
“Hoje, o presidente Trump determinou que o USTR imponha uma tarifa de 25% sobre a maioria das importações brasileiras. Não haja confusão sobre o motivo: o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé”, escreveu o secretário do Estado no X.
A postagem foi posteriormente compartilhada pelo presidente da Argentina, Javier Milei.
Na mesma publicação, Rubio também criticou a política econômica do governo brasileiro e afirmou que Lula teria priorizado interesses políticos em vez de buscar um acordo comercial com os Estados Unidos.
“Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. No último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso”, declarou.
Tarifa de 25% entra em vigor após investigação
A aplicação da tarifa de 25% foi confirmada na quarta-feira (15) pelo representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. Segundo o governo norte-americano, a decisão foi assinada pelo presidente Donald Trump após recomendação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
Greer informou que alguns produtos brasileiros, entre eles café e carne, permanecerão isentos da nova cobrança. Ele também afirmou que as medidas poderão ser revistas caso o Brasil adote ações de retaliação.
USTR aponta práticas comerciais consideradas desleais
O tarifaço é resultado de uma investigação iniciada pelo USTR em julho de 2025, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, instrumento utilizado para apurar práticas comerciais consideradas injustas por outros países.
No relatório, o órgão americano questiona políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, pirataria, mercado de etanol e combate ao desmatamento ilegal.
Entre as críticas apresentadas está o sistema de pagamentos Pix. Segundo Jamieson Greer, a ferramenta funciona como um “campeão nacional”, criando, na avaliação do governo norte-americano, condições de concorrência desiguais no comércio eletrônico.