Seis meses após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro por forças especiais dos Estados Unidos, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, teria ampliado sua influência sobre a administração da Venezuela, passando a coordenar decisões financeiras, recursos naturais e áreas estratégicas do governo, segundo reportagem do jornal The New York Times.
De acordo com funcionários venezuelanos e norte-americanos ouvidos pelo jornal, Rubio atua como uma espécie de administrador da Venezuela a partir de Washington, mantendo comunicação direta com a presidente interina Delcy Rodríguez.
O acordo político teria sido firmado após Rodríguez aceitar seguir diretrizes da Casa Branca em troca da manutenção da infraestrutura do país e da continuidade de serviços considerados essenciais.
Petróleo venezuelano passa a ser monitorado pelos EUA
Segundo a reportagem, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos passou a acompanhar diretamente as receitas obtidas com as exportações de petróleo venezuelano. Os recursos seriam liberados gradualmente por bancos privados locais, permitindo maior controle sobre a aplicação do dinheiro público.
A estratégia teria como objetivo evitar desvios de recursos e reorganizar as finanças do país, além de proteger determinadas operações contra credores internacionais da dívida venezuelana.
Rubio também estaria responsável pela concessão de licenças para empresas atuarem no setor energético, favorecendo a participação de companhias norte-americanas.
Washington amplia influência militar e diplomática
Na área de segurança, decisões importantes do governo venezuelano passaram a depender de aprovação dos Estados Unidos, incluindo nomeações de cargos estratégicos.
A mudança também teria reduzido a participação de antigos aliados de Caracas, como a Rússia, em setores ligados à exploração de petróleo.
Ainda segundo o jornal, o governo venezuelano teria colaborado com autoridades americanas em operações contra organizações criminosas e no fornecimento de informações de inteligência.
Ajuda humanitária e futuro político
Após terremotos que atingiram a Venezuela, os Estados Unidos teriam enviado tropas, recursos emergenciais e dinheiro físico para ajudar na estabilização econômica do país.
Apesar da influência crescente de Washington, Rubio afirma que o objetivo final seria uma transição democrática. Analistas, porém, apontam que ainda não há uma definição sobre quando ocorrerão eleições livres no país.
A reportagem também cita que Donald Trump demonstrou apoio público à administração interina de Delcy Rodríguez e chegou a mencionar, de forma informal, a possibilidade de uma aproximação territorial entre Venezuela e Estados Unidos.