O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, acusou o atual presidente Gustavo Petro de tentar um golpe de Estado após anunciar a suspensão do processo de transição de poder nesta terça-feira (7).
A declaração ocorreu após Petro afirmar que não reconhecia a vitória de Espriella nas eleições presidenciais e declarar apoio ao candidato governista Iván Cepeda, derrotado no segundo turno realizado no fim de junho.
“Petro e Cepeda iniciaram seu plano B para permanecer no poder e pretendem fazê-lo por meio de um golpe”, afirmou Espriella. Segundo ele, o atual presidente estaria assumindo uma função que pertence às autoridades eleitorais ao questionar o resultado das urnas.
O presidente eleito também pediu atenção da comunidade internacional e solicitou que as Forças Armadas colombianas cumpram a Constituição. “Protejam a democracia e não obedeçam a nenhuma ordem contrária”, declarou.
Espriella ainda convocou seus apoiadores a permanecerem mobilizados até a posse, marcada para 7 de agosto. “Não podemos permitir que roubem o que conquistamos em uma batalha democrática nas urnas”, afirmou.
Petro questiona resultado e mantém processo de transição
Antes do anúncio de Espriella, Gustavo Petro havia publicado uma mensagem nas redes sociais afirmando que não reconhecia a legitimidade do novo governo.
“O presidente da Colômbia aceita, de acordo com a decisão do povo colombiano, o filósofo Iván Cepeda”, escreveu Petro, convocando seus apoiadores para manifestações.
Após a suspensão da transição, o presidente colombiano afirmou que a equipe de Espriella não estaria preparada para assumir o comando do país e disse que o processo continuaria conforme previsto pela legislação.
Segundo a imprensa colombiana, não há registros anteriores de uma ruptura semelhante no processo de cooperação entre governos durante uma transição presidencial.
Regras da transição na Colômbia
A transferência de governo na Colômbia é regulamentada pela Lei 951 de 2005. A norma determina que a administração que deixa o poder deve elaborar um relatório com informações sobre gestão, recursos e responsabilidades.
A equipe do presidente eleito, por sua vez, deve receber e analisar o documento, podendo verificar possíveis irregularidades em até 30 dias úteis após a assinatura da ata de entrega.
Caso o responsável pelo cargo não cumpra a obrigação, ele pode ser notificado pelos órgãos de controle e sofrer sanções administrativas em caso de persistência.
Questionamentos sobre a eleição
A disputa eleitoral foi marcada por acusações entre os grupos políticos. Espriella adotou um discurso de oposição à esquerda durante a campanha, enquanto Petro e seus aliados levantaram questionamentos sobre o processo eleitoral.
Cepeda reconheceu a vitória de Espriella três dias após o segundo turno, mas fez críticas ao processo. O senador afirmou que houve suposta interferência estrangeira, compra de votos e uso de inteligência artificial para influenciar a campanha.
Até o momento, porém, não foram apresentadas provas que comprovem irregularidades capazes de alterar o resultado da eleição.
Missões internacionais de observação eleitoral avaliaram positivamente o processo. A missão da União Europeia afirmou que a votação ocorreu de forma pacífica e organizada, enquanto o Carter Center declarou que o segundo turno foi conduzido de maneira transparente e eficiente.
A posse do presidente eleito está prevista para 7 de agosto, quando deve ocorrer a troca oficial de governo.
