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Início Brasil

Pílula da família do Mounjaro vence disputa contra medicamento tradicional para diabetes, veja detalhes

Por Junior Melo
15/jul/2026
Em Brasil, Saúde
Novos comprimidos para obesidade e diabetes: princípios baseados no GLP-1 das canetas devem chegar em breve ao Brasil (Foto: GI/Getty Images)

Novos comprimidos para obesidade e diabetes: princípios baseados no GLP-1 das canetas devem chegar em breve ao Brasil (Foto: GI/Getty Images)

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Um novo medicamento oral para o tratamento do diabetes tipo 2 apresentou resultados superiores aos de uma das terapias mais utilizadas atualmente. O orforglipron, desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly, foi comparado à dapagliflozina em um estudo clínico internacional e demonstrou maior eficácia no controle da glicemia e na perda de peso.

Os resultados fazem parte do estudo ACHIEVE-2, publicado na revista científica The Lancet, e envolveram pacientes dos Estados Unidos, China, México, Alemanha, Polônia e Taiwan.

Comparação entre os tratamentos

A dapagliflozina integra a classe dos inibidores de SGLT2, medicamentos amplamente utilizados no tratamento do diabetes tipo 2. Seu mecanismo de ação estimula a eliminação do excesso de glicose pela urina por meio dos rins.

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Já o orforglipron pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1. O medicamento atua estimulando a produção de insulina, reduzindo o apetite e retardando o esvaziamento do estômago. Um dos diferenciais apontados pelos pesquisadores é o fato de ser administrado por via oral, uma vez ao dia, sem necessidade de jejum ou horário específico.

Estudo mostrou melhor controle da glicemia

A pesquisa acompanhou 962 pessoas com diabetes tipo 2 que já utilizavam metformina, mas ainda apresentavam dificuldades para controlar os níveis de açúcar no sangue.

Após 40 semanas de tratamento, os participantes que receberam orforglipron registraram redução de até 1,7% na hemoglobina glicada — exame que mede a média da glicemia dos últimos meses. No grupo tratado com dapagliflozina, a redução chegou a 0,8%.

Segundo o estudo, aproximadamente 80% dos pacientes tratados com o novo medicamento atingiram níveis de hemoglobina glicada inferiores a 7%, índice considerado adequado para o controle da doença.

Além disso, o orforglipron apresentou maior efeito na redução do peso corporal. Os participantes perderam, em média, 7,3% do peso inicial, enquanto aqueles que utilizaram dapagliflozina registraram perda média de 3%.

Os pesquisadores afirmaram que já era esperado um desempenho superior dos medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 em relação aos inibidores de SGLT2, mas destacaram que a magnitude dos resultados observados superou as expectativas.

Efeitos colaterais

Apesar da eficácia, o estudo apontou maior incidência de efeitos gastrointestinais entre os pacientes que utilizaram o orforglipron.

Náuseas e desconfortos digestivos foram os eventos adversos mais frequentes e contribuíram para um número maior de interrupções do tratamento em comparação com a dapagliflozina.

Os pesquisadores ressaltam que a resposta ao medicamento pode variar de acordo com fatores como tempo de diagnóstico, peso corporal e condições clínicas de cada paciente.

Medicamento ainda não está disponível no Brasil

O orforglipron ainda não possui registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e, por isso, não pode ser comercializado legalmente no Brasil.

Nos Estados Unidos, o medicamento recebeu autorização da agência reguladora FDA em abril de 2026, sob o nome comercial Foundayo, mas para uma indicação diferente da avaliada no estudo: o tratamento de adultos com obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades, como hipertensão arterial ou diabetes tipo 2, sempre aliado a mudanças no estilo de vida.

A Anvisa alerta que medicamentos dessa classe adquiridos por canais informais ou sem registro sanitário podem não oferecer garantias de qualidade, segurança ou eficácia. A agência recomenda que pacientes utilizem apenas tratamentos aprovados no país e sempre sob orientação médica.

Especialistas avaliam que a futura aprovação do orforglipron poderá ampliar as opções terapêuticas para pessoas com diabetes tipo 2. Até que isso ocorra, a recomendação é que os pacientes conversem com seus médicos sobre os tratamentos atualmente disponíveis e autorizados no Brasil.

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