Mensagens obtidas pela Polícia Federal apontam que o senador Jaques Wagner (PT-BA) articulou um encontro considerado “discreto” entre o empresário Augusto Lima, então sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, e o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias.
A informação foi descoberta durante a análise do celular de Augusto Lima, apreendido no âmbito das investigações da Operação Compliance Zero.
Segundo a apuração, a reunião teria sido marcada para abril de 2024. Em uma mensagem de áudio enviada ao empresário, Jaques Wagner afirma que havia conversado com Jorge Messias e que o ministro sugeriu realizar o encontro no horário do almoço.
“Eu falei com o Messias agora e o presidente infelizmente chamou ele amanhã um pouco por causa dessas confusões. Então ele pediu se poderia ser horário de almoço”, diz o senador na gravação.
Na sequência, Wagner demonstra preocupação com a discrição do encontro e sugere que a reunião ocorra em seu gabinete no Senado.
“Eu continuo achando que o melhor lugar pra fazer seria no meu gabinete, que é o mais protegido, discreto pra todo mundo. Pra ele é natural estar lá, você já teve várias vezes lá com André. Então não teria tanta atenção chamada”, afirmou.
No dia seguinte, conforme as mensagens analisadas pela Polícia Federal, Augusto Lima informou ao senador que havia chegado ao Senado para o compromisso.
Procurado, o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, negou ter participado da reunião.
“Nunca estive em reunião com o Senhor Lima no gabinete do senador Jaques Wagner no Senado”, afirmou, em nota.
As mensagens fazem parte das investigações relacionadas ao Banco Master, que apuram suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e outros possíveis crimes. Até o momento, não há decisão judicial que atribua responsabilidade criminal aos citados, e as investigações seguem em andamento.
