O senador Flávio Bolsonaro e o jornalista Paulo Figueiredo participarão, na próxima segunda-feira (6), de uma audiência pública no Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que discute a investigação comercial aberta contra o Brasil e a possível aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros.
Os dois enviaram documentos ao órgão norte-americano com os argumentos que pretendem apresentar durante a sessão. Nos textos, ambos atribuem ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a responsabilidade pelas práticas comerciais classificadas pelos EUA como “desleais”.
No dia 1º de junho, o USTR concluiu uma investigação sobre o Brasil e apontou que políticas adotadas pelo país seriam “irrazoáveis ou discriminatórias”, além de restringirem ou onerarem o comércio americano.
Entre os pontos levantados pelo órgão estão decisões judiciais brasileiras envolvendo plataformas de redes sociais, políticas de incentivo ao sistema de pagamentos Pix, falhas no combate à corrupção, fiscalização insuficiente contra produtos falsificados, mudanças tarifárias no etanol e críticas ao combate ao desmatamento ilegal.
Com base nessas conclusões, o USTR sugeriu a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
Em documento encaminhado ao governo americano, Paulo Figueiredo argumenta que parte das acusações seria resultado de ações atribuídas ao governo federal e ao Supremo Tribunal Federal (STF), com menções ao ministro Alexandre de Moraes.
Já Flávio Bolsonaro anexou reportagens e documentos que, segundo ele, demonstrariam episódios de atrito diplomático entre o governo Lula e os Estados Unidos, além de críticas ao dólar e ao governo de Donald Trump.
O senador defende que eventuais tarifas sejam adiadas até depois das eleições presidenciais de 2026, sob o argumento de que uma medida econômica dessa magnitude em período eleitoral poderia ser interpretada como tentativa de interferência no processo democrático brasileiro.
Paulo Figueiredo, por sua vez, sustenta que uma sobretaxa generalizada atingiria setores produtivos, trabalhadores e consumidores, sem impactar diretamente aqueles que ele considera responsáveis pelo impasse.
Nos documentos, ambos também alertam que sanções comerciais poderiam ampliar a aproximação do Brasil com a China, fortalecendo a influência chinesa na América do Sul.
Como alternativa, Figueiredo defende sanções direcionadas a indivíduos específicos, incluindo restrições de visto e medidas com base na Lei Global Magnitsky.
O presidente Lula reagiu às movimentações e criticou a atuação de Flávio Bolsonaro junto ao governo americano. Em publicação nas redes sociais, classificou a iniciativa como “entreguismo” e afirmou que o Brasil não aceitará interferências externas.
Lula também rebateu o pedido de adiamento das tarifas, afirmando que não há justificativa para a adoção de sobretaxas contra produtos brasileiros em nenhum momento.
Na manifestação, o presidente também defendeu o Mercosul e o sistema de pagamentos Pix, classificando ambos como estratégicos para a soberania econômica do país.
