A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro demonstrou preocupação com as consequências da carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. Segundo a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), aliada próxima de Michelle, a ex-primeira-dama ficou apreensiva após a repercussão do documento e teme que um eventual descumprimento das medidas cautelares impostas ao ex-presidente possa resultar na revogação da prisão domiciliar.
“Desde que vimos alguns comentários na internet, ela ficou aflita. Ela tem se esforçado ao máximo para que todas as medidas sejam cumpridas”, afirmou Damares em entrevista ao jornal O Globo.
A preocupação surgiu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspender por 90 dias as visitas de Flávio Bolsonaro ao pai. A medida foi adotada depois que o senador divulgou, em uma transmissão ao vivo, uma carta escrita pelo ex-presidente durante o período de prisão domiciliar.
Na avaliação de Moraes, a divulgação do documento pode ter violado a medida cautelar que proíbe Jair Bolsonaro de utilizar redes sociais, direta ou indiretamente, por intermédio de terceiros.
Segundo Damares, Michelle teme que o episódio possa levar à revogação da prisão domiciliar humanitária concedida ao ex-presidente.
“Ela lutou por esta domiciliar, pois sabe que ele não pode ficar na cadeia por causa da saúde. Ela teme que ele volte caso alguma medida seja descumprida. É esta preocupação. Ela vive em constante vigilância e cuidado”, declarou a senadora.
A decisão do ministro também impacta a pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, uma vez que impede qualquer contato entre pai e filho durante os 90 dias de suspensão das visitas, período que se estende até o fim do primeiro turno das eleições.
O episódio ocorre em meio a um momento de tensão dentro do próprio grupo político de Bolsonaro. Em junho, Michelle Bolsonaro publicou vídeos nas redes sociais nos quais afirmou ter sido “maltratada” e “desrespeitada” por Flávio Bolsonaro, evidenciando divergências internas sobre a condução do campo político ligado ao ex-presidente.
Na carta divulgada pelo senador, Jair Bolsonaro reafirma apoio à pré-candidatura do filho e pede que aliados se unam em torno de seu nome para a disputa presidencial.
Além de suspender as visitas, Alexandre de Moraes determinou que a defesa do ex-presidente esclareça, no prazo de 48 horas, se Jair Bolsonaro tinha conhecimento prévio de que a carta seria divulgada nas redes sociais. O ministro também encaminhou o caso ao procurador-geral eleitoral para apuração de eventual prática de propaganda eleitoral antecipada.
Em nota, o coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, senador Rogério Marinho (PL-RN), criticou a decisão do STF. Ele classificou a medida como “autoritária” e “desproporcional”, afirmando que ela busca tornar Jair Bolsonaro “incomunicável” e representa uma “interferência no jogo político”.