A Polícia Federal (PF) contará com apoio internacional para localizar bens que teriam sido adquiridos com recursos desviados em um suposto esquema de fraudes envolvendo o Banco Master. A cooperação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), permitindo que autoridades estrangeiras auxiliem nas investigações.
O objetivo é identificar e rastrear ativos e propriedades comprados com dinheiro que, segundo as investigações, teria sido retirado de forma irregular da instituição financeira. Entre os principais alvos está um iate avaliado em R$ 500 milhões, que teria sido negociado por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, antes de sua prisão.
O rastreamento será realizado por meio do mecanismo de Assistência Legal Mútua (Mutual Legal Assistance Treaty – MLAT), instrumento utilizado para viabilizar a cooperação entre países em investigações criminais. Com a autorização do STF, caberá ao Ministério da Justiça e Segurança Pública conduzir as tratativas com as autoridades estrangeiras. A informação foi divulgada pelo jornal Valor Econômico.
Operação investiga emissão irregular de CDBs
O caso ganhou repercussão em novembro de 2025, com a deflagração da Operação Compliance Zero. A investigação apura se o Banco Master emitia Certificados de Depósito Bancário (CDBs) de forma irregular.
Segundo a Polícia Federal, a instituição oferecia aos investidores taxas de juros muito acima das praticadas pelo mercado para atrair clientes. As investigações apontam que esses títulos, supostamente, não possuíam cobertura real em ativos suficientes para garantir as operações.
Após a descoberta do esquema, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master. Daniel Vorcaro foi preso, e a investigação segue para apurar a extensão das fraudes e identificar o possível envolvimento de outros empresários e agentes públicos no suposto desvio de recursos.
Com a cooperação internacional autorizada pelo Supremo, a expectativa é de que a Polícia Federal consiga localizar patrimônios mantidos fora do Brasil, ampliar o rastreamento dos valores desviados e fortalecer a produção de provas no inquérito.