A Polícia Federal afirmou, em representação enviada ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que a servidora da Câmara dos Deputados Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, teria atuado com o aval do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para viabilizar a indicação de emendas parlamentares em favor do ex-deputado Eduardo Cunha, que atualmente não exerce mandato.
Segundo a PF, as investigações identificaram pelo menos 21 emendas parlamentares atribuídas à atuação de Cunha em 2025. Os investigadores afirmam que mensagens interceptadas e planilhas apreendidas indicam que o ex-presidente da Câmara influenciava o direcionamento de recursos públicos, mesmo sem ocupar cargo eletivo.
No documento, a corporação sustenta que Mariângela Fialek “contava com pleno aval da presidência da Casa” para atuar no suposto esquema, classificando a situação como um possível desvio de finalidade na destinação de emendas parlamentares.
Com base nas investigações, o ministro Flávio Dino determinou o bloqueio de até R$ 6,15 milhões em bens de Eduardo Cunha e suspendeu a execução das despesas relacionadas às emendas sob suspeita.
Em decisão, Dino destacou que os elementos reunidos apontam indícios de possível desvio de recursos públicos e ressaltou que a falta de rastreabilidade das emendas pode caracterizar crimes como peculato ou desvio de finalidade.
Até o momento da publicação da reportagem, Hugo Motta não havia se manifestado sobre o teor da representação da Polícia Federal. No sábado, porém, o presidente da Câmara afirmou que investigações envolvendo emendas parlamentares estariam promovendo uma “criminalização da política”. Já Eduardo Cunha e os demais citados têm direito ao contraditório e à ampla defesa no decorrer das investigações.