O senador Flávio Bolsonaro defendeu o sistema de pagamentos Pix durante audiência pública promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), em Washington, que discute a proposta de aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros exportados para o mercado americano.
Durante sua apresentação, o parlamentar afirmou que o Pix foi lançado no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e argumentou que o sistema nunca representou uma ameaça ao setor financeiro. Segundo ele, a ferramenta complementa, e não compete com, os meios de pagamento utilizados nos Estados Unidos.
Flávio também pediu que o governo americano suspenda a aplicação das tarifas para permitir que Brasil e Estados Unidos negociem uma solução sem prejuízos para a população brasileira. Ao comentar o cenário político, afirmou que as eleições de 2026 podem alterar o contexto das relações entre os dois países e que a adoção das tarifas neste momento seria de difícil reversão.
O senador ainda criticou decisões relacionadas à remoção de publicações em redes sociais americanas, atribuindo a responsabilidade ao Supremo Tribunal Federal e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Outro tema abordado foi a corrupção. Flávio associou casos como o Mensalão e as fraudes investigadas no INSS aos governos do PT e afirmou que, durante a gestão de Jair Bolsonaro, o Brasil não enfrentou problemas dessa natureza. “Sobre isso, não há divergência. Mas a corrupção tem responsáveis identificáveis. A corrupção tornou-se uma característica marcante da esquerda política brasileira. O povo brasileiro não deve ser punido por isso”, declarou.
A audiência reúne representantes de cerca de 40 entidades e empresas brasileiras e americanas, incluindo organizações como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé), a Unica e a Embraer. O encontro faz parte da investigação comercial conduzida pelo USTR, que avalia aspectos como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal antes de decidir sobre a possível adoção das tarifas.