Uma parcela da geração Z brasileira, formada por jovens entre 16 e 34 anos, vem apresentando mudanças no comportamento político e parte desse grupo, que apoiou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas últimas eleições, afirma estar migrando para candidatos de direita na disputa de 2026.
Segundo reportagem da Reuters publicada em 24 de junho, essa mudança estaria relacionada principalmente a fatores como percepção de dificuldades econômicas, aumento da preocupação com segurança pública e insatisfação com episódios envolvendo denúncias de corrupção.
Pesquisas recentes apontam que a faixa etária mais jovem apresenta os maiores índices de desaprovação ao governo federal. Um levantamento da Quaest divulgado em junho indicou que brasileiros de 16 a 34 anos são o único grupo de idade em que a desaprovação ao governo supera a aprovação.
Um dos exemplos citados pela Reuters é o tradutor de videogames Ricardo de Lima Filho, de 34 anos. Ele afirmou que votou em candidatos de esquerda durante grande parte da vida, incluindo Lula no segundo turno das eleições de 2022, mas diz que pretende escolher um nome de direita na próxima disputa presidencial.
“Vivi a maior parte da minha vida adulta sob governos do PT. Mas, com a economia estagnada, a segurança pública em declínio e escândalos de corrupção nas notícias, eu não consegui perceber a melhora que esperava”, declarou.
Para o diretor da Quaest, Felipe Nunes, um dos fatores que ajudam a explicar o descontentamento entre jovens é a diferença entre avanço educacional e retorno econômico.
Segundo ele, o número de brasileiros com diploma universitário praticamente dobrou na última década, mas a renda média dos profissionais formados, quando corrigida pela inflação, ainda permanece abaixo do patamar registrado em 2014.
“Esse jovem foi para a universidade, estudou, conquistou o diploma e, quando voltou ao mercado de trabalho, não viu esse resultado econômico de fato”, afirmou Nunes.
A mudança de comportamento entre eleitores mais jovens deve ser um dos temas observados na corrida eleitoral de 2026, em um cenário marcado pela disputa por um grupo que representa uma parcela significativa do eleitorado brasileiro.