O setor de carnes brasileiro já começa a sentir os efeitos das restrições impostas pelos principais mercados internacionais. Com a cota de exportação para a China praticamente esgotada e a possibilidade de suspensão das vendas para a União Europeia, frigoríficos iniciaram férias coletivas, reduziram o ritmo de abates e reorganizaram a produção.
A China, principal destino da carne bovina brasileira, estabelece uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas com tarifa de 12%. Após o esgotamento desse limite, passa a incidir uma sobretaxa de 55%, elevando a tributação total e tornando as exportações economicamente inviáveis.
Diante desse cenário, empresas do setor já começaram a desacelerar as operações voltadas ao mercado chinês, o que pode aumentar a oferta de carne bovina no mercado interno e pressionar os preços pagos aos pecuaristas.
Além das dificuldades com a China, outro desafio preocupa o setor. A União Europeia poderá retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro, caso a medida seja confirmada.
Se as restrições entrarem em vigor, o setor enfrentará obstáculos simultâneos em dois de seus principais mercados internacionais, aumentando a pressão sobre frigoríficos, produtores rurais e toda a cadeia da pecuária brasileira.