Em artigo de opinião, o economista Alexandre Schwartsman critica as propostas econômicas discutidas pelo PT e afirma que o partido insiste em buscar explicações para os elevados juros brasileiros sem enfrentar o debate sobre o crescimento dos gastos públicos.
Segundo o autor, o programa em elaboração pela legenda reúne medidas como controle de capitais, formação de estoques reguladores e intervenções no mercado de câmbio, mas evita discutir o impacto da expansão das despesas do governo sobre a política monetária.
Gasto público no centro da crítica
Schwartsman sustenta que o aumento contínuo dos gastos públicos tem papel decisivo na manutenção de juros elevados no país.
Para o economista, embora integrantes do governo atribuam a alta da taxa Selic a fatores externos ou às decisões do Banco Central, a própria política fiscal contribui para manter a inflação pressionada e dificultar a redução dos juros.
Economia aquecida desafia política monetária
O artigo afirma que, mesmo com uma taxa básica de juros elevada, a economia brasileira continua aquecida, cenário que, segundo o autor, reflete os estímulos fiscais adotados pelo governo.
Na avaliação de Schwartsman, o choque recente nos preços do petróleo ajuda a explicar parte da inflação, mas não seria suficiente para justificar a mudança nas expectativas para os próximos anos.
O economista destaca que o Banco Central já passou a projetar a inflação considerando horizontes mais longos, nos quais os efeitos do petróleo tendem a desaparecer, mas as projeções continuam acima da meta estabelecida.
Críticas ao programa econômico do PT
Para Schwartsman, insistir em responsabilizar fatores externos ou decisões do Banco Central pelos juros elevados impede o enfrentamento da principal causa do problema, que, em sua avaliação, está na política fiscal.
O autor conclui afirmando que, caso as propostas econômicas discutidas pelo PT sejam implementadas, o Brasil poderá conviver por mais tempo com juros elevados, enquanto o debate sobre as causas continuará sendo direcionado para outros fatores.