Apesar das mudanças nas relações comerciais e financeiras internacionais após a adoção de tarifas unilaterais pelos Estados Unidos, o dólar continua ocupando posição central na economia global. A avaliação foi feita nesta sexta-feira (27) pelo economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Pierre-Olivier Gourinchas.
Em entrevista à Reuters, Gourinchas afirmou que a moeda norte-americana segue sendo a principal referência para o comércio internacional, o sistema bancário e as reservas cambiais, mesmo diante das transformações provocadas pelas medidas adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Segundo o economista, há poucos sinais de uma mudança significativa nesse cenário.
“Estamos vendo muito, muito pouco em termos de movimentos que indiquem que estamos nos afastando de um mundo centrado no dólar. Estamos firmemente inseridos nesse mundo centrado no dólar”, afirmou.
Prestes a deixar o FMI para retornar à carreira acadêmica, Gourinchas também comentou a valorização do ouro registrada nos últimos anos. De acordo com ele, a alta foi impulsionada principalmente pelo crescimento dos ETFs (fundos negociados em bolsa), que ampliaram o acesso dos investidores ao metal precioso sem a necessidade de adquirir ouro físico.
O economista acrescentou que emissores de stablecoins — criptomoedas vinculadas ao valor de outros ativos — também passaram a manter ouro em suas reservas, contribuindo para o aumento da demanda e, consequentemente, para a valorização do metal. Em contrapartida, ele destacou que os bancos centrais não vêm realizando compras significativas de ouro.
Nesta sexta-feira, o ouro registrou leve alta, favorecido pelo enfraquecimento do dólar e pela redução das expectativas de novos aumentos nas taxas de juros dos Estados Unidos. O movimento ocorreu após a divulgação de dados de inflação no dia anterior, que indicaram um possível arrefecimento das pressões inflacionárias.
Apesar da recuperação no pregão, o metal ainda caminhava para encerrar a quarta semana consecutiva de perdas.
