Uma declaração da diretora-executiva jurídica da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Luciana Nunes Freire, durante audiência pública no Senado sobre o fim da escala 6×1 provocou ampla repercussão nas redes sociais.
Ao defender a manutenção do atual modelo de jornada, Luciana argumentou que mudanças poderiam afetar o funcionamento de serviços aos finais de semana.
“Eu trabalho cinco por dois e, aos sábados, qualquer mulher vai ao salão de cabeleireiro. Vai estar fechado aos sábados para nos atender?”, afirmou.
Ela também citou supermercados e farmácias, questionando se esses estabelecimentos deixariam de funcionar aos domingos.
Fala gerou críticas
As declarações foram criticadas por defensores da redução da jornada de trabalho.
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), autora de uma das propostas de emenda à Constituição que tratam do fim da escala 6×1, afirmou que a diretora demonstrou desconhecimento sobre o funcionamento das escalas de trabalho.
Nas redes sociais, a parlamentar declarou que a fala revela uma visão de que determinados trabalhadores deveriam permanecer disponíveis para atender às necessidades de outras pessoas.
Quem é Luciana Nunes Freire
Luciana Nunes Freire é diretora-executiva jurídica da FIESP e atua há cerca de duas décadas na área jurídica empresarial.
Entre suas qualificações estão:
- Formação em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie;
- Especialização em Direito da Economia;
- Mestrado em Direito do Trabalho e Relações Internacionais do Trabalho pela Universidad Nacional de Tres de Febrero, em Buenos Aires;
- Participação em comissões tripartites do Ministério do Trabalho e Emprego representando o setor patronal;
- Integrante do Conselho de Relações do Trabalho da Confederação Nacional da Indústria;
- Professora do Insper, do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa e do LEC – Instituto de Legal, Ética e Compliance.
Debate sobre a escala 6×1
A audiência pública discutia propostas que buscam reduzir a jornada de trabalho e substituir a escala 6×1 — seis dias trabalhados para um de descanso.
O tema divide representantes do setor empresarial e entidades sindicais. Enquanto defensores da mudança argumentam que a redução da jornada pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, representantes do setor produtivo alertam para possíveis impactos sobre custos, produtividade e funcionamento de determinados segmentos econômicos.