A disputa entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do PL à Presidência da República, e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro evidenciou um dos principais desafios enfrentados pelo partido na corrida eleitoral: a ausência de uma liderança capaz de coordenar a campanha e unificar o grupo.
O nome considerado natural para exercer esse papel seria o do ex-presidente Jair Bolsonaro. No entanto, as restrições impostas pela prisão domiciliar limitam sua atuação direta na articulação política e na condução da campanha.
Michelle Bolsonaro, por ser a pessoa com maior acesso ao ex-presidente, poderia assumir a função de interlocutora entre Bolsonaro e o partido. Entretanto, o recente conflito com Flávio Bolsonaro reforçou a percepção de que ela também possui interesses políticos próprios, o que dificulta sua atuação como figura de consenso.
Flávio, por sua vez, também enfrenta resistência interna. Embora tenha recebido do pai uma carta oficializando sua condição de candidato e a missão de apresentá-la ao partido, a crise com Michelle revelou dificuldades para consolidar sua liderança dentro do PL. Nem mesmo o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, é apontado como uma autoridade capaz de arbitrar os conflitos internos da família Bolsonaro.
Outro nome ligado à coordenação da campanha é o senador Rogério Marinho (PL-RN), anunciado como chefe da campanha presidencial. Apesar da função, ele tem mantido distância da disputa entre Michelle e Flávio e não participou das tentativas de conter o desgaste provocado pelo embate.
Nos bastidores do PL, parlamentares também atribuem parte do agravamento da crise à atuação do jornalista Paulo Figueiredo, aliado de Eduardo Bolsonaro. Segundo integrantes da legenda, declarações feitas por ele contra Michelle Bolsonaro contribuíram para ampliar o conflito e gerar desgaste político.
As críticas de Figueiredo à ex-primeira-dama provocaram forte repercussão, especialmente entre o eleitorado feminino e evangélico, segmentos considerados estratégicos para a campanha do PL. Para integrantes do partido, o episódio fortaleceu o discurso dos adversários e ampliou as dificuldades de articulação interna em um momento decisivo da pré-campanha.
Com Jair Bolsonaro impossibilitado de exercer uma liderança ativa, o partido enfrenta o desafio de administrar divergências entre seus principais nomes sem uma figura capaz de centralizar as decisões e conduzir a estratégia eleitoral.