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Início Brasil

Após restrições impostas por Moraes, advogados passam a ser ponte entre Bolsonaro e PL

Por Junior Melo
20/jul/2026
Em Brasil, Política, STF
Ex-presidente Jair Bolsonaro em prisão domiciliar, em Brasília — Foto: Sergio Lima / AFP

Ex-presidente Jair Bolsonaro em prisão domiciliar, em Brasília — Foto: Sergio Lima / AFP

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A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de restringir as visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) levou o Partido Liberal (PL) a reformular a forma de comunicação entre Bolsonaro e a pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

De acordo com integrantes da legenda, os advogados que integram a defesa do ex-presidente passarão a atuar como principal elo entre Bolsonaro e a equipe de campanha, sendo responsáveis por transmitir orientações políticas e decisões estratégicas.

Na sexta-feira (17), Moraes manteve a prisão domiciliar de Bolsonaro, mas ampliou as restrições impostas ao ex-presidente após Flávio divulgar nas redes sociais uma carta em que o pai o reconhecia como seu porta-voz.

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Na decisão, o ministro afirmou que “não é plausível” a alegação da defesa de que Bolsonaro desconhecia a divulgação da carta em apoio à pré-candidatura presidencial do filho.

Por determinação do relator da ação penal que investiga a suposta trama golpista, Flávio Bolsonaro ficará impedido de visitar o pai pelos próximos 90 dias. O ministro também proibiu, até o término do período eleitoral, visitas com finalidade político-eleitoral, além da divulgação de manifestos políticos de Bolsonaro, inclusive por terceiros, independentemente da plataforma utilizada.

A decisão ainda suspendeu, por 30 dias, o direito de Bolsonaro de receber qualquer tipo de visita, inclusive de familiares, permitindo apenas o acesso de médicos, fisioterapeutas e advogados.

Nos bastidores da pré-campanha de Flávio, aliados avaliam que a nova dinâmica deve tornar mais lenta a troca de informações entre o ex-presidente e a equipe política, o que pode dificultar decisões durante o período eleitoral.

Atualmente, Bolsonaro é representado pelos advogados Celso Vilardi, Paulo Cunha Bueno e Daniel Tesser. Também integram a equipe de defesa Marcelo Bessa, advogado do PL; João Henrique Freitas, assessor do ex-presidente; e o ex-ministro de Minas e Energia Adolfo Sachsida.

Flávio Bolsonaro também recebeu substabelecimento para atuar como advogado do pai, mas permanece impedido de visitá-lo enquanto durar a prisão domiciliar.

Apesar das restrições, aliados do senador destacam que a última manifestação pública de Bolsonaro reforçou sua pré-candidatura e consolidou Flávio como principal representante político do ex-presidente. A declaração ocorreu em meio ao desgaste envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que afirmou ter sido “maltratada”, “desrespeitada” e “humilhada” pelo enteado.

Após a decisão de Moraes, Flávio criticou a medida nas redes sociais, classificando-a como “ilegal, desproporcional, covarde e cruel”.

“O Bolsonaro foi enterrado vivo, só com a cabeça para fora da terra e tá tomando chute na cara de Moraes. Hoje, foi mais um bico na boca”, afirmou o senador em vídeo publicado nas redes sociais.

“Usar a força que o Estado lhe conferiu para satisfazer os seus devaneios pessoais não é justiça, é vingança”, acrescentou.

No sábado (18), durante um evento no Espírito Santo, Flávio voltou a criticar o ministro do STF e afirmou que não pretende “abaixar a cabeça para tirano nenhum”.

O senador disse ainda que não busca vingança e declarou que pede a Deus para que a alma de Alexandre de Moraes seja “resgatada”.

“Eu não estou buscando vingança de nada, peço a Deus que possa resgatar aquela alma [Alexandre de Moraes]. Não tem ninguém que está acima da lei, por que ele acha que pode? Por que a esposa dele recebe R$ 129 milhões? Para fingir que está advogando e ele faz advocacia administrativa. Por que ele está acima da lei? Por que nenhuma investigação começa?”, questionou o parlamentar.

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