A Bridgestone deu mais um passo no desenvolvimento de uma tecnologia que promete transformar a mobilidade. A fabricante japonesa iniciou testes com pneus que dispensam o uso de ar, eliminando o risco de furos e a necessidade de calibragem. A novidade já está sendo utilizada em uma pequena frota de veículos elétricos e autônomos na cidade de Higashiomi, no Japão.
Nesta fase, os pneus equipam veículos de pequeno porte, semelhantes a carrinhos de golfe, usados principalmente para transportar idosos em rotas curtas e previamente definidas. Como a tecnologia ainda está em desenvolvimento, os veículos operam com velocidade máxima de 20 km/h, permitindo que a fabricante avalie o desempenho dos pneus em condições controladas.
O diferencial está na tecnologia chamada AirFree, que substitui o ar por uma estrutura formada por raios de resina termoplástica reciclável. Esses elementos são responsáveis por sustentar o peso do veículo e absorver os impactos durante a condução.
A terceira geração do pneu utiliza materiais mais flexíveis, capazes de distribuir melhor os impactos sem comprometer o conforto dos passageiros. Outro destaque é a sustentabilidade: tanto a banda de rodagem quanto a estrutura interna podem ser recicladas ou reformadas ao final da vida útil.
Apesar dos avanços, a Bridgestone ainda não definiu quando a tecnologia estará disponível para carros de passeio. Antes da produção em larga escala, os engenheiros precisam solucionar desafios relacionados ao uso em altas velocidades, como dissipação de calor, redução do ruído de rodagem e manutenção da estabilidade em curvas.
Além das aplicações em vias urbanas, a empresa também estuda uma versão metálica do conceito para equipar futuros veículos de exploração lunar. Como não dependem de ar, esses pneus seriam mais adequados para suportar as condições extremas da superfície da Lua.
A Bridgestone não está sozinha nessa corrida tecnológica. Em 2021, a Michelin e a General Motors apresentaram o Uptis, outro projeto de pneu sem ar e resistente a furos. A expectativa é que esse tipo de inovação represente um importante avanço em segurança, durabilidade e sustentabilidade para a indústria automotiva nos próximos anos.