O Estado do Texas deu mais um passo para tornar obrigatório o estudo de histórias e trechos da Bíblia nas escolas públicas. A medida foi aprovada pelo Conselho Estadual de Educação, de maioria republicana, e faz parte de um movimento conservador que busca ampliar a presença de referências cristãs no ensino.
Mudanças no currículo
O novo currículo prevê a inclusão de histórias bíblicas infantis, versículos e passagens das Escrituras como leitura obrigatória para alunos de diferentes séries. Entre os conteúdos estão relatos como Davi e Golias, Daniel na cova dos leões, Adão e Eva e trechos dos Salmos.
Além disso, o conselho aprovou mudanças nas disciplinas de estudos sociais, com maior ênfase na história do Texas e dos Estados Unidos, reduzindo o espaço destinado a conteúdos sobre culturas e história global. As alterações devem entrar em vigor a partir de 2030.
Argumentos favoráveis
Os defensores da proposta afirmam que a Bíblia deve ser estudada como uma obra literária e histórica essencial para compreender a formação da civilização ocidental e dos Estados Unidos. Segundo eles, o objetivo não é promover uma religião, mas ampliar o conhecimento dos estudantes sobre textos que influenciaram a história, a política e a cultura do país.
Críticas à proposta
A iniciativa, porém, gerou forte reação de professores, pais e representantes de diferentes grupos religiosos. Os críticos argumentam que a medida favorece o cristianismo em detrimento de outras crenças e pode violar o princípio da separação entre Igreja e Estado previsto na Constituição americana.
Também há preocupação de que o currículo limite o direito das famílias de conduzir a educação religiosa dos filhos e coloque professores diante da responsabilidade de ensinar conteúdos religiosos específicos, mesmo sem formação adequada.
Segundo pesquisas do Pew Research Center, cerca de um terço dos adultos do Texas não se identifica como cristão, fator que intensificou o debate sobre os impactos da proposta para estudantes de diferentes tradições religiosas.