A prisão do vereador Senival Moura (PT), durante a Operação Última Parada, desencadeou novos desdobramentos políticos e reacendeu discussões sobre a atuação do crime organizado no sistema de transporte público da capital paulista.
Deflagrada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil, a operação investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Além do parlamentar, também foram alvos integrantes da facção criminosa e o presidente da empresa de ônibus Transunião, que recebeu mais de R$ 300 milhões da Prefeitura de São Paulo apenas em 2025.
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 194 milhões em contas bancárias, além do sequestro de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações. Segundo as investigações, Senival Moura teria desempenhado papel relevante na estrutura investigada. A defesa do vereador nega as acusações.
O caso ganhou repercussão em meio à crise política envolvendo lideranças da direita, o que, segundo analistas e articulistas, acabou reduzindo a atenção pública sobre a operação policial.
As investigações também relembram a Operação Fim da Linha, realizada em 2024, que atingiu as empresas UPBus e Transwolff, igualmente suspeitas de serem utilizadas para lavar recursos do PCC por meio de contratos do transporte coletivo.
Em artigos de opinião publicados após a operação, comentaristas relacionaram o caso a interceptações da Polícia Federal realizadas em 2019, nas quais um integrante do PCC mencionava a existência de um suposto “diálogo” com integrantes do PT. Na época, o partido contestou a interpretação das conversas e afirmou que não havia qualquer relação institucional com a facção criminosa.
A investigação sobre a Transunião segue em andamento e busca esclarecer a extensão do esquema, identificar todos os envolvidos e apurar o destino dos recursos movimentados. Até o momento, não há condenações definitivas relacionadas ao caso.