O Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou uma carta aberta voltada ao público evangélico, combinando referências bíblicas com propostas políticas e defendendo a continuidade do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026.
Como o PT busca aproximação com o eleitorado evangélico?
O documento foi apresentado durante o IV Encontro Nacional de Evangélicos do PT, realizado em Brasília. A iniciativa faz parte da estratégia do partido para ampliar o diálogo com um segmento em que Lula enfrenta dificuldades eleitorais.
Na carta, os participantes afirmam que os evangélicos não formam um grupo político homogêneo. O texto também critica o uso da fé como ferramenta de influência partidária e destaca que não pretende representar todas as denominações religiosas.
Versículos bíblicos servem de base para o documento?
A carta utiliza passagens da Bíblia para introduzir diferentes temas políticos e sociais. Entre os livros citados estão Isaías, Tiago, Mateus, Efésios e Pedro, conectando as propostas apresentadas a princípios cristãos.
A abertura traz um trecho de Isaías relacionado ao cuidado com os mais vulneráveis. Ao longo do texto, referências do Novo Testamento são usadas para sustentar pautas ligadas à justiça social, solidariedade e inclusão.
Quais propostas são defendidas na carta?
Além das citações religiosas, o documento apresenta uma série de medidas consideradas prioritárias pelos participantes do encontro. Entre os principais pontos destacados estão:
- Ampliação do Bolsa Família
- Fortalecimento do Minha Casa Minha Vida
- Expansão da Farmácia Popular
- Isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil
- Fim da escala de trabalho 6×1
- Incentivo à agricultura familiar
- Avanço da Reforma Agrária
- Políticas de primeiro emprego para jovens
- Atenção integral à saúde da mulher
- Ampliação do acesso da população negra à Justiça
O texto também defende ações voltadas à proteção ambiental, à soberania nacional e à preservação da biodiversidade, utilizando o conceito de “Casa Comum”, expressão popularizada pelo papa Francisco.
Como o encontro ocorreu?
A divulgação da carta aconteceu em um momento de tensão envolvendo a primeira-dama Rosângela Silva, a Janja, e o pastor Silas Malafaia. O religioso criticou reuniões promovidas por Janja com mulheres evangélicas.
A primeira-dama respondeu às declarações e afirmou não reconhecer Malafaia como pastor. O episódio ampliou o debate sobre a relação entre governo, lideranças religiosas e participação política.
PT reconhece afastamento das igrejas nos últimos anos
Durante o encontro, Janja fez uma autocrítica e admitiu que o PT se distanciou de parte das igrejas evangélicas ao longo dos anos. O reconhecimento ocorre em um contexto de busca por maior aproximação com esse público.
Segundo o Censo 2022 do IBGE, os evangélicos representam 26,9% da população brasileira, sendo 55,4% mulheres. Pesquisas recentes apontam que Lula enfrenta desvantagem significativa nesse segmento eleitoral.
Disputa pelo voto evangélico ganha força para 2026
A movimentação do PT acontece poucos dias após a realização da Marcha para Jesus, que reuniu fiéis de diversas denominações em São Paulo. O evento contou com a presença de Flávio Bolsonaro, mas não teve a participação de Lula.
O presidente afirmou que preferiu não comparecer para evitar interpretações de uso político de um evento religioso. Em seu lugar, o governo foi representado pelo ministro da AGU, Jorge Messias, enquanto a disputa pela preferência do eleitorado evangélico segue como um dos temas centrais da corrida eleitoral de 2026.