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Pela primeira vez, tratamentos conseguem retardar o avanço do Alzheimer, afirma neurologista

Por Junior Melo
28/jun/2026
Em Mundo
Foto: Divulgação/ Reprodução

Foto: Divulgação/ Reprodução

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O neurologista norte-americano Bruce Miller, um dos principais especialistas em demências do mundo, afirma que a medicina vive um momento histórico no combate ao Alzheimer. Segundo ele, novos medicamentos já conseguem modificar o curso da doença, retardando sua progressão quando administrados nas fases iniciais. Além disso, exames de sangue passaram a identificar alterações relacionadas ao Alzheimer até duas décadas antes do aparecimento dos primeiros sintomas.

Miller, diretor do Memory and Aging Center da Universidade da Califórnia, em San Francisco, esteve no Brasil para participar do Brain Congress, realizado em Porto Alegre, onde destacou que o diagnóstico precoce pode transformar completamente a forma como a doença é tratada.

Diagnóstico pode ser feito até 20 anos antes

De acordo com o especialista, os avanços tecnológicos permitem detectar, por meio de exames de sangue, proteínas associadas ao Alzheimer entre 15 e 20 anos antes do surgimento das perdas cognitivas.

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Também já existem exames de imagem capazes de identificar as proteínas beta-amiloide e tau, consideradas as principais responsáveis pelo desenvolvimento da doença. Para Miller, essa precisão diagnóstica aproxima a medicina de uma nova fase, semelhante à prevenção das doenças cardiovasculares.

Ele revelou ainda que estudos previstos para 2027 irão avaliar se pessoas sem sintomas, mas com acúmulo de beta-amiloide no cérebro, poderão evitar ou retardar o desenvolvimento do Alzheimer ao receber medicamentos preventivos.

Nova geração de medicamentos

Embora ainda não exista cura para o Alzheimer, Miller afirma que os tratamentos disponíveis inauguram uma nova era ao desacelerar a evolução da doença quando iniciados precocemente.

Segundo o neurologista, caso os estudos em andamento confirmem os resultados esperados, será possível tratar pacientes antes mesmo do aparecimento dos primeiros sinais clínicos, reduzindo significativamente o risco de comprometimento cognitivo.

Prevenção começa antes do nascimento

O especialista ressalta que a proteção da saúde cerebral começa ainda durante a gestação. Um ambiente saudável para a mãe, livre de drogas e de estresse excessivo, contribui para o desenvolvimento adequado do cérebro do bebê.

Ao longo da vida, diversos fatores influenciam o risco de desenvolver demência, como baixa escolaridade, obesidade, sedentarismo, tabagismo, hipertensão, depressão e isolamento social.

Miller destaca que hábitos saudáveis fazem diferença em qualquer idade. Entre as principais recomendações estão praticar atividade física regularmente, manter alimentação equilibrada, controlar doenças crônicas, evitar o consumo excessivo de álcool e permanecer socialmente ativo.

Investir em prevenção reduz custos

Para o neurologista, investir em prevenção e diagnóstico precoce não apenas melhora a qualidade de vida dos pacientes, como também reduz os impactos econômicos das demências nos sistemas de saúde.

Segundo ele, à medida que os exames de sangue se tornarem mais acessíveis e novos tratamentos forem disponibilizados, a tendência é que o Alzheimer deixe de ser identificado apenas após o surgimento dos sintomas, permitindo intervenções muito mais eficazes.

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