A Procuradoria-Geral da República (PGR) deve encerrar as tratativas para um acordo de delação premiada com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, preso desde abril. O caso se soma ao impasse envolvendo a negociação de colaboração de executivos ligados ao Banco Master.
Qual a situação na delação de Paulo Henrique Costa?
A PGR caminha para rejeitar a delação premiada proposta pelo ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, segundo informações do blog de Malu Gaspar, do jornal O Globo. Ele está preso desde abril e ainda não conseguiu avançar na formalização de um acordo.
A primeira etapa de uma colaboração, que seria a assinatura de um termo de confidencialidade com a PGR e a Polícia Federal, não foi sequer iniciada. Sem esse passo, o processo de delação não chega a ser estruturado formalmente.
Por que a PGR pode encerrar as negociações com o ex-dirigente do BRB?
De acordo com investigadores, a avaliação interna é de que Paulo Henrique Costa não apresentou elementos novos relevantes. O entendimento é de que o conteúdo oferecido já estaria, em grande parte, conhecido pela própria investigação da PF.
Outro fator que pesa é a resistência do ex-executivo em admitir pontos considerados já consolidados pelos investigadores, como a suposta negociação de imóveis como forma de propina ligada ao Banco Master.
Quais são as principais acusações e elementos do caso investigado?
Paulo Henrique Costa é acusado de envolvimento em operações financeiras complexas e de ter recebido benefícios indevidos relacionados ao Banco Master. As investigações apontam que ele teria negociado vantagens em troca de decisões no BRB.
Entre os principais pontos levantados pela investigação estão alegações de compra de carteiras fraudulentas e recebimento indireto de vantagens patrimoniais. Antes do avanço da apuração, surgiram estimativas milionárias envolvendo os negócios sob suspeita:
- R$ 12,2 bilhões em carteiras fraudulentas atribuídas ao Banco Master
- R$ 146 milhões em imóveis ligados a possíveis vantagens indevidas
- Suposta negociação de benefícios envolvendo dirigentes e intermediários
- Tentativas de delação para obter acordo com a PF e o MPF
O que dizem defesa e investigadores sobre a tentativa de acordo?
A defesa de Paulo Henrique Costa, representada pelo advogado Davi Tangerino, afirma que houve demora injustificada na resposta das autoridades sobre o início da negociação. O pedido formal foi enviado à PF e ao Ministério Público Federal cobrando posicionamento.
Segundo os investigadores, no entanto, não há obrigação de resposta formal imediata, já que o termo de confidencialidade ainda não foi assinado. Esse ponto é considerado decisivo para abrir ou não uma delação.
Onde Paulo Henrique Costa está preso e qual o impacto da possível rejeição?
Desde sua prisão, Paulo Henrique Costa passou por diferentes unidades do sistema prisional do Distrito Federal. Atualmente, ele está na chamada Papudinha, anexo do 19º Batalhão da Polícia Militar.
O local é conhecido por oferecer melhores condições estruturais do que outras unidades, o que também entra no debate sobre eventuais movimentações futuras caso a delação seja definitivamente descartada:
- Celas com cama de casal e geladeira
- Direito a cinco refeições diárias
- Possibilidade de banho de sol frequente
- Estrutura com TV e cozinha interna
Como o caso de Daniel Vorcaro influencia a situação do ex-BRB?
O cenário de Paulo Henrique Costa ocorre paralelamente às tentativas de delação de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Ele também enfrenta resistência da PGR em fechar acordo, após sucessivas propostas rejeitadas.
Os investigadores avaliam que Costa tentou antecipar sua colaboração para ganhar vantagem no cenário investigativo, mesmo antes da definição do destino das negociações de Vorcaro.