Junho começa com queda das temperaturas em diversas regiões do país, avanço de massas de ar frio e mudanças importantes provocadas pela aproximação do El Niño, que deve influenciar o clima brasileiro ao longo dos próximos meses.
Junho terá frio mais intenso em boa parte do Brasil?
O mês inicia com frio acentuado no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além de redução significativa das temperaturas em áreas do Norte. A chegada do inverno, marcada para o dia 21 de junho, reforça essa tendência.
Segundo meteorologistas, o comportamento climático tradicional de junho será alterado neste ano devido à formação do El Niño no Oceano Pacífico e ao aquecimento das águas do Atlântico, fatores que modificam os padrões de chuva e temperatura.
Como o El Niño influencia o clima neste mês?
Embora o fenômeno ainda esteja em fase inicial, a probabilidade de consolidação do El Niño já alcança 82% entre maio e julho, segundo dados da NOAA. A intensidade prevista para junho varia entre fraca e moderada.
Os impactos mais expressivos devem surgir a partir do segundo semestre, mas algumas mudanças já serão percebidas. Entre elas estão a redistribuição das chuvas, períodos de calor acima da média em determinadas áreas e alterações no início da estação chuvosa em partes do país.
O que esperar do clima nas regiões brasileiras?
As condições climáticas serão diferentes entre as regiões, com destaque para a combinação entre chuva, frio e períodos secos ao longo do mês:
- Sul: mais chuva no Paraná na primeira quinzena e em Santa Catarina e Rio Grande do Sul na segunda; risco elevado de geadas após o dia 15.
- Sudeste: chuva acima da média no início do mês, seguida por período mais seco e frio; geadas podem ocorrer em São Paulo.
- Centro-Oeste: primeiras semanas mais úmidas e segunda metade marcada por frio e tempo seco.
- Norte: redução das chuvas em Roraima, Amazonas e Pará; Rondônia e Acre podem registrar episódios de friagem.
- Nordeste: diminuição das precipitações na faixa litorânea e manutenção do tempo seco no interior.
Chuvas e temperaturas terão comportamento diferente do normal
Tradicionalmente, junho é um mês seco em grande parte do Brasil, especialmente em estados como Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Tocantins. Neste ano, porém, algumas áreas terão volumes de chuva acima da média.
As projeções indicam acumulados que podem atingir 150 milímetros entre o norte do Rio Grande do Sul e o sul do Paraná, enquanto partes de São Paulo, Mato Grosso do Sul e sul de Minas Gerais devem registrar índices bem menores.
Como a agricultura entra em alerta com geadas e excesso de umidade?
As condições climáticas previstas para junho exigem atenção do setor agrícola. O excesso de chuva em algumas regiões pode atrasar colheitas e favorecer o surgimento de doenças nas lavouras.
Além disso, o avanço do frio aumenta o risco de geadas em áreas produtoras de trigo e cana-de-açúcar, enquanto a redução das chuvas no Nordeste e em partes da Região Norte pode ampliar problemas relacionados ao déficit hídrico e à baixa umidade do solo.
Quais serão os principais efeitos do El Niño nos próximos meses?
Especialistas apontam que os efeitos mais fortes do fenômeno deverão aparecer entre setembro e o final do ano. A tendência é de aumento das chuvas na Região Sul e em partes do Sudeste.
Por outro lado, áreas do Matopiba, Pará e Amazonas podem enfrentar atraso no período chuvoso. O calor acima da média também preocupa regiões como o Pantanal, onde as condições podem favorecer a ocorrência de queimadas.