A operação da Polícia Federal envolvendo o senador Jaques Wagner provocou uma mudança na estratégia de comunicação do Palácio do Planalto em relação ao caso Banco Master. A avaliação interna é de que o episódio alterou o equilíbrio narrativo que vinha sendo construído pelo governo nas últimas semanas.
Segundo apuração de bastidores, o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, passou a revisar a estratégia adotada até aqui para lidar com os desdobramentos do caso, que envolve investigações relacionadas ao Banco Master.
Mudança de cenário após avanço das investigações
Até então, a comunicação do governo vinha trabalhando para associar o escândalo a adversários políticos, com destaque para o senador Flávio Bolsonaro. Essa linha também era reforçada por conteúdos e campanhas digitais impulsionadas em redes sociais, com base em materiais divulgados por veículos como o The Intercept Brasil.
A estratégia buscava manter o presidente Luiz Inácio Lula da Silva distante do desgaste político e concentrar as críticas em figuras da oposição.
No entanto, a inclusão de Jaques Wagner no radar das investigações mudou o cenário interno, já que o senador é um dos principais articuladores políticos do governo no Congresso e integra o núcleo mais próximo do presidente.
Preocupação com efeito político
Integrantes do governo avaliam que a entrada de um aliado direto nas investigações dificulta a sustentação da narrativa de que o caso se limita a adversários ou atores externos à base governista.
A principal preocupação da equipe de comunicação é evitar que o episódio seja interpretado como uma crise institucional do governo às vésperas do ciclo eleitoral, ampliando o desgaste político para além de casos individuais.
Reorganização da estratégia digital
Nos bastidores, Sidônio também estuda ajustes na atuação do governo nas redes sociais, onde parte da comunicação vinha concentrando esforços em críticas direcionadas a adversários políticos.
A nova orientação, segundo interlocutores, seria reduzir a exposição do tema de forma coordenada e focar na individualização das investigações, evitando que o caso seja tratado como uma crise generalizada envolvendo o governo federal.
