A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos entrou em uma nova fase de tensão após o governo americano concluir uma investigação que pode resultar na aplicação de uma tarifa de 25% sobre todos os produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.
Por que os EUA propõem tarifa contra o Brasil?
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) finalizou a investigação aberta em julho de 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O relatório aponta que determinadas práticas brasileiras seriam prejudiciais aos interesses comerciais americanos.
Apesar da conclusão do processo, a tarifa ainda não entrou em vigor. A medida depende de uma decisão final do presidente Donald Trump, que tem até 15 de julho para definir se adotará ou não a recomendação.
Quais pontos foram questionados pelos Estados Unidos?
O documento elaborado pelas autoridades americanas identificou seis áreas consideradas problemáticas nas relações comerciais com o Brasil. Segundo o relatório, essas práticas seriam responsáveis por restringir ou dificultar negócios dos EUA.
Entre os principais temas mencionados estão:
- Comércio digital e pagamentos eletrônicos, com referências ao Pix;
- Ordens judiciais brasileiras para remoção de conteúdos em plataformas americanas;
- Tarifas consideradas preferenciais e desleais;
- Aplicação de medidas anticorrupção;
- Questões relacionadas à propriedade intelectual;
- Acesso ao mercado brasileiro de etanol e combate ao desmatamento ilegal.
Negociações entre Lula e Trump não evitaram o avanço do processo
Nas últimas semanas, representantes dos dois países intensificaram as conversas para tentar reduzir as divergências. O representante comercial americano, Jamieson Greer, reconheceu que houve aumento dos contatos diplomáticos entre Brasília e Washington.
Mesmo assim, Greer afirmou que permanecem “divergências substanciais” em relação aos pontos investigados. Segundo ele, as negociações não foram suficientes para solucionar as questões apontadas pelo governo americano.
Como foi a reunião entre os presidentes?
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump estiveram reunidos em Washington no dia 7 de maio. Na ocasião, o líder brasileiro entregou documentos com propostas voltadas ao fortalecimento das relações comerciais entre os dois países.
Lula também informou que uma nova proposta seria enviada dentro de 30 dias. A conclusão da investigação americana ocorreu justamente dentro desse período, ampliando a pressão sobre as negociações bilaterais.
Governo brasileiro reage e descarta negociar o Pix
Após a divulgação do relatório, Lula classificou a decisão como “intempestiva” e afirmou esperar uma revisão da medida por parte do governo americano. O presidente chegou a sugerir que a proposta poderia ter avançado sem a anuência direta de Trump.
Em tom de ironia, Lula declarou: “Faça o Pix para nós“. Paralelamente, integrantes do governo reforçaram que o sistema de pagamentos instantâneos não será objeto de negociação com os Estados Unidos.
O que pode acontecer se a tarifa for confirmada?
Caso Trump aprove a recomendação do USTR, todos os produtos brasileiros enviados ao mercado americano poderão ser atingidos pela tarifa adicional de 25%, elevando custos para exportadores nacionais.
O governo brasileiro já sinalizou que poderá recorrer à Lei de Reciprocidade Econômica, instrumento que permite adotar medidas em resposta a barreiras comerciais impostas por outros países. A decisão final dos EUA deve definir os próximos passos da disputa comercial entre as duas maiores economias do continente.