O ministro do STF, Gilmar Mendes, criticou a atuação do colega André Mendonça ao comentar a delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, classificando o episódio como um possível “erro crasso” no andamento das negociações.
O que Gilmar Mendes disse sobre André Mendonça?
Durante entrevista ao programa Roda Viva, Gilmar Mendes afirmou nesta segunda-feira (22/6) que houve um “erro crasso” na condução de aspectos ligados à delação premiada de Daniel Vorcaro.
Segundo o ministro, a participação de um juiz nesse tipo de tratativa extrapola as funções previstas em lei e compromete a lógica do sistema acusatório. Ele destacou ainda que a negociação de colaborações deve ser conduzida por órgãos específicos do processo penal. Veja o vídeo:
Gilmar diz que Mendonça cometeu "erro crasso" em delação de Vorcaro
— Pesquisas Eleições (@EleicaoBr2026) June 23, 2026
🗣️ "Na conversa que nós tivemos, por exemplo, disse-se que o André Mendonça tinha recebido um advogado fazendo proposta de delação seletiva. E aqui já há uma impropriedade, porque a lei não permite que o relator… pic.twitter.com/cjZIatGzK8
Por que a atuação do relator na delação é questionada pelo STF?
Gilmar Mendes reforçou que a legislação brasileira não permite que o juiz participe de negociações de delação, atribuição que cabe à Polícia Federal e ao Ministério Público. Para ele, qualquer interferência do magistrado nesse estágio pode gerar distorções no processo e comprometer a imparcialidade da Justiça.
Segundo o ministro, o modelo atual exige separação clara de funções para evitar conflitos institucionais. Entre os pontos citados como problemáticos na condução de delações, estão aspectos que envolvem a interação entre juiz, defesa e órgãos de investigação, como:
- Participação direta do magistrado em tratativas de colaboração
- Interferência na relação entre defesa e investigadores
- Discussões sobre propostas de delação fora dos canais oficiais
- Risco de comprometimento da imparcialidade judicial
O que André Mendonça disse sobre a delação de Daniel Vorcaro?
No julgamento relacionado ao caso, o ministro André Mendonça mencionou a existência de uma proposta de “delação seletiva” apresentada pela defesa de Daniel Vorcaro.
Ele afirmou que o episódio foi citado no contexto das prisões preventivas de familiares do ex-banqueiro, mas ressaltou que não teve acesso ao conteúdo completo da proposta. Mendonça também disse que a iniciativa inicial de colaboração teria partido da própria defesa, sem detalhar o material apresentado.
Qual é a posição da PF e da PGR sobre uma nova delação de Vorcaro?
A possível nova tentativa de colaboração premiada de Daniel Vorcaro ainda enfrenta resistência dentro das instituições responsáveis pela investigação. Tanto a Polícia Federal quanto a Procuradoria-Geral da República (PGR) já demonstraram cautela em relação aos materiais apresentados até agora.
Antes de avançar, os órgãos avaliam critérios técnicos e jurídicos que precisam ser atendidos para a homologação de um acordo válido. Entre os principais pontos considerados pelas autoridades estão:
- Necessidade de informações novas e verificáveis
- Apresentação de provas consistentes e detalhadas
- Evitar omissões sobre autoridades eventualmente envolvidas
- Coerência com elementos já investigados pela PF
O que pode acontecer com a nova tentativa de delação de Vorcaro?
Mesmo com as críticas e resistências iniciais, Gilmar Mendes afirmou que o cenário ainda pode mudar conforme o avanço das investigações. Segundo o ministro, novas informações podem alterar a avaliação sobre a viabilidade do acordo de colaboração.
Ele destacou que decisões nesse tipo de processo dependem da evolução do conjunto probatório. A expectativa é que uma terceira proposta de delação seja apresentada nos próximos dias, com a defesa de Vorcaro afirmando que agora o material seria mais robusto e detalhado.