Quatro estados brasileiros registraram, no último ano letivo, taxas de aprovação no ensino médio próximas de 100%, os maiores percentuais desde o início da série histórica, em 2015. Os dados incluem redes estaduais que adotaram o modelo de progressão parcial, permitindo que estudantes avancem de série mesmo com reprovação em parte das disciplinas.
No Piauí, a taxa de aprovação chegou a 99,5% entre cerca de 103,3 mil estudantes da rede estadual, com pouco mais de uma centena de reprovações registradas. Já o Pará alcançou 99,3% de aprovação, incluindo a ausência de reprovações no 1º e 2º anos do ensino médio.
O Rio Grande do Norte, que passou a adotar a progressão parcial com até seis disciplinas em dependência a partir de 2025, registrou avanço na taxa de aprovação, que chegou a 93%. O Rio de Janeiro, que também adotou medida semelhante em decreto recente, segue a tendência observada em outros estados que flexibilizaram critérios de progressão escolar.
Entenda o modelo de progressão parcial
A progressão parcial permite que o estudante avance de ano mesmo reprovado em algumas disciplinas, desde que cumpra atividades de recuperação paralela. Em alguns estados, o limite chega a seis matérias no 1º e 2º anos do ensino médio e até três no 3º ano.
Governos estaduais defendem que o modelo busca reduzir a evasão escolar e manter os alunos na rede de ensino, evitando repetência em larga escala.
Impacto em indicadores educacionais
A mudança tem efeito direto sobre o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que combina desempenho em avaliações nacionais com o fluxo escolar, que inclui taxas de aprovação.
Especialistas apontam que, quando o desempenho nas provas se mantém estável, o aumento das taxas de aprovação pode elevar automaticamente o índice, sem necessariamente refletir melhoria no aprendizado.
Desempenho ainda preocupa
Apesar dos índices elevados de aprovação, redes estaduais citadas apresentam desempenho abaixo da média em avaliações de proficiência, especialmente em Língua Portuguesa e Matemática, segundo resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).
Críticos da política afirmam que a flexibilização pode mascarar dificuldades de aprendizagem, já que o indicador de aprovação não mede, por si só, o nível de conhecimento dos estudantes.