O ex-ministro e pré-candidato ao Governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), voltou a criticar os dois principais polos da política nacional ao afirmar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) possuem mais semelhanças do que diferenças em suas políticas econômicas.
Em entrevista publicada pela revista Veja nesta sexta-feira (19), Ciro declarou que os dois líderes adotaram medidas semelhantes quando estiveram à frente do país, apesar das diferenças de discurso e estilo político.
“Fui candidato a presidente disputando com Lula e Bolsonaro. Tirando a estética, os dois são rigorosamente iguais”, afirmou. Segundo ele, ambos defenderam pontos como o câmbio flutuante, metas de inflação, superávit primário, autonomia do Banco Central, política de paridade internacional de preços da Petrobras, reforma da Previdência e processos de privatização.
Apesar de manter críticas tanto ao PT quanto ao bolsonarismo em âmbito nacional, Ciro sinalizou que não descarta uma composição política regional com o Partido Liberal para a disputa pelo Governo do Ceará nas eleições de 2026.
De acordo com o ex-governador, as divergências entre seu grupo político e o PL permanecem no cenário nacional, mas não impedem conversas voltadas à realidade local.
“A nossa desavença nacional com o PL é insuperável. Apoiar Flávio Bolsonaro não está em discussão. Se estivesse, nós não tínhamos nem sentado para conversar sobre a aliança regional”, declarou.
A possibilidade de aproximação ganhou força após manifestações favoráveis do deputado federal André Fernandes, presidente estadual do PL no Ceará. No entanto, a movimentação enfrenta resistência dentro da direção nacional da legenda.
Entre os críticos da eventual aliança está a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que relembrou declarações feitas por Ciro contra Jair Bolsonaro e seus familiares ao longo dos últimos anos.
O próprio Ciro reconheceu que seu histórico de críticas ao ex-presidente pode dificultar qualquer entendimento político mais amplo com o grupo bolsonarista. Segundo ele, até mesmo o senador Flávio Bolsonaro poderia não ter interesse em receber seu apoio.
“Aliás, ele, Flávio, deveria usar o que eu também já falei do PT”, afirmou.
As declarações evidenciam o esforço de Ciro Gomes para se posicionar como uma alternativa aos principais grupos políticos do país, ao mesmo tempo em que busca construir alianças estratégicas para fortalecer sua candidatura ao governo cearense.