A China vem intensificando a aplicação de tecnologias como inteligência artificial (IA), robótica e reconhecimento facial, consolidando um ecossistema integrado entre governo, empresas e universidades que busca acelerar a transformação digital do país e disputar protagonismo global com os Estados Unidos.
No centro desse movimento estão companhias e polos de inovação que conectam pesquisa acadêmica, capital privado e políticas públicas. Um dos exemplos é a Megvii, avaliada em cerca de US$ 4 bilhões, que atua em soluções de IA voltadas para segurança e mobilidade urbana. Outro destaque é o TusPark, ligado à Universidade Tsinghua, que funciona como hub de inovação ao reunir startups, investidores e instituições governamentais.
Entre as chamadas empresas de ponta do setor, a MiniMax integra o grupo dos “Quatro Tigres da IA” chineses, com foco no desenvolvimento de modelos de linguagem (LLMs) voltados à criação de conteúdo. A companhia afirma operar com custos mais baixos em relação a concorrentes globais e já alcança mais de 200 países, com cerca de 200 milhões de usuários.
Outra empresa relevante nesse cenário é a 4Paradigm, especializada em soluções de IA corporativa. Listada na bolsa de Hong Kong desde 2023, a companhia tem valor de mercado estimado em US$ 1,8 bilhão e atende grandes clientes como BYD, Lenovo, DHL, Pizza Hut, KFC, TCL e Zegna. A empresa projeta receita próxima de US$ 1 bilhão e amplia atuação em mais de dez setores industriais.
Apesar da competição direta com gigantes norte-americanas, empresas chinesas afirmam buscar nichos complementares, com foco em aplicações empresariais e soluções específicas para setores produtivos.
O avanço do setor, no entanto, também envolve disputas legais e regulatórias. A MiniMax enfrenta processos na Califórnia relacionados ao uso de conteúdos audiovisuais para treinamento de modelos de IA, em um caso que ainda está em andamento na Justiça dos Estados Unidos.
No campo macroeconômico, a China registrou em 2025 um superávit comercial de US$ 1,18 trilhão, alta de 20% em relação ao ano anterior. As exportações somaram US$ 3,77 trilhões, impulsionadas pelo crescimento de 13% em bens de alta tecnologia e avanço de 27% nos setores de veículos elétricos, baterias e energia solar.
Dados do Banco Mundial mostram ainda a expansão contínua das exportações chinesas de alta tecnologia, que passaram de US$ 594,7 bilhões em 2016 para US$ 825 bilhões em 2023. O novo plano quinquenal (2026–2030) reforça a tecnologia como eixo estratégico da política industrial do país.
Segundo estimativas da Bloomberg, a China prepara investimentos de cerca de 2 trilhões de yuans (aproximadamente US$ 295 bilhões) para construção de data centers voltados à IA nos próximos cinco anos. Em comparação, empresas norte-americanas planejam investir até US$ 725 bilhões em infraestrutura de IA já em 2026.
O cenário evidencia uma disputa crescente entre China e Estados Unidos pela liderança na infraestrutura, nos modelos e nas aplicações da inteligência artificial, com impacto direto na economia global e na geopolítica tecnológica.