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Início Geral

Capital Nacional das Flores reúne 40% do mercado brasileiro e atrai visitantes o ano inteiro

Por Guilherme Silva
29/jun/2026
Em Geral
Portal de entrada em Holambra, São Paulo, Brasil. Moinho de vento tradicional de laranjeira celebrando o início da primavera.

Portal de entrada em Holambra, São Paulo, Brasil. Moinho de vento tradicional de laranjeira celebrando o início da primavera - Créditos: depositphotos.com / Cristian_Lourenco

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A silhueta de um moinho de 38 metros e o perfume de rosas recém-colhidas saúdam quem chega a Holambra, no interior de São Paulo. Localizada a cerca de 130 km da capital paulista, a cidade ganhou o apelido de “Holanda brasileira”. Seu nome, uma fusão de Holanda, América e Brasil, revela as origens: foi fundada por imigrantes holandeses e hoje abastece o país com flores, mantendo vivo o sotaque de seus pioneiros.

De fazenda de gado a maior produtora de flores da América Latina

A trajetória começou em 1948, quando aproximadamente 500 imigrantes da província de Brabante do Norte deixaram uma Holanda arrasada pela Segunda Guerra Mundial e se estabeleceram na antiga Fazenda Ribeirão. A intenção inicial era criar gado leiteiro, mas as vacas holandesas não resistiram às enfermidades tropicais.

A reviravolta aconteceu em 1951, com a chegada de um segundo contingente de colonos que trouxe sementes de gladíolo na bagagem. Das flores, surgiu uma cadeia produtiva que hoje é responsável por cerca de 40% da comercialização de flores e plantas ornamentais em todo o território nacional. O título de Capital Nacional das Flores foi oficializado pela Lei Federal 12.428/2011, conforme registrado pelo Senado Federal.

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Créditos: depositphotos.com / paulobaqueta
Ponto turístico na cidade de Holambra, SP – Créditos: depositphotos.com / paulobaqueta

Como funciona o leilão holandês de flores?

A Cooperativa Veiling Holambra opera desde 1989 um leilão reverso inspirado no modelo de Aalsmeer, nos Países Baixos. O sistema utiliza relógios eletrônicos chamados Kloks, nos quais o preço inicia em um valor alto e vai diminuindo até que um comprador interrompa o ponteiro.

São mais de 7 mil variedades de plantas negociadas 24 horas por dia, todos os dias da semana, envolvendo cerca de 400 produtores cooperados. É possível acompanhar o leilão ao vivo em visitas guiadas, realizadas às terças e sextas-feiras pela manhã. O complexo ocupa uma área de 80 hectares e abriga câmaras frias, galpões climatizados e o espaço Gran Flora, aberto para compras tanto no atacado quanto no varejo.

O que visitar na Cidade das Flores?

As atrações mesclam campos floridos, arquitetura de influência holandesa e espaços ao ar livre. A maioria delas está concentrada próxima ao centro e pode ser percorrida de bicicleta pelas ciclovias da cidade.

  • Moinho Povos Unidos: erguido em 2008 para celebrar os 60 anos da imigração, possui 38 m de altura e um mirante com vista panorâmica dos campos de cultivo. É o maior moinho típico de grãos da América Latina, segundo a prefeitura local.
  • Praça Vitória Régia: espaço com lago, peixes ornamentais, pergolado e jardins, inaugurado em 2018 em frente à prefeitura.
  • Campos de flores: a Macena Flores e o Bloemen Park abrem as portas para visitação, com estufas, mais de 200 espécies e a possibilidade de colheita acompanhada por guias.
  • Museu Histórico de Holambra: reúne acervo fotográfico, tratores trazidos da Europa e réplicas das primeiras moradias dos colonos, mobiliadas com peças originais.
  • Deck do Amor: passarela construída sobre um lago artificial, rodeada por jardins, tornando-se ponto obrigatório para fotografias.

Expoflora: a maior festa de flores da América Latina

Realizada desde 1981, a Expoflora acontece entre os meses de agosto e setembro, atraindo cerca de 300 mil visitantes a cada edição. O ponto alto é a Parada das Flores, um desfile com carros alegóricos cobertos de arranjos florais, seguido pela tradicional chuva de pétalas, quando canhões lançam quilos de pétalas de rosa sobre o público.

O evento também inclui mostras de paisagismo, apresentações de danças folclóricas holandesas, o lançamento de novas variedades de plantas e uma feira gastronômica. Fora do período da Expoflora, o calendário local conta com o Natal Mágico, a Corrida das Flores e o Dia do Rei, festa típica dos Países Baixos celebrada em maio.

Créditos: depositphotos.com / paulobaqueta
Ruas de Holambra – Créditos: depositphotos.com / paulobaqueta

Stampot, cuca holandesa e café com flores: o que comer?

A gastronomia local é uma deliciosa mistura da tradição dos Países Baixos com ingredientes tropicais. O Boulevard Holandês concentra diversos restaurantes, cafés e confeitarias no centro da cidade.

  • Stampot: prato típico holandês à base de batatas amassadas com verduras, servido acompanhado de linguiça defumada.
  • Cuca holandesa: versão local do bolo com cobertura de farofa doce e frutas, facilmente encontrada nas padarias do centro.
  • Pratos com flores: sobremesas e saladas que utilizam pétalas de rosa, lavanda e hibisco, uma especialidade de restaurantes como o Casa Bela.
  • Cervejas artesanais: a produção local homenageia a tradição cervejeira europeia com rótulos sazonais e de estilos variados.

Quando ir à Cidade das Flores?

O clima é tropical de altitude, com invernos secos e verões chuvosos. A primavera é considerada a época mais fotogênica, mas os campos produzem flores durante o ano inteiro.

Como chegar à Capital Nacional das Flores?

Holambra fica a cerca de 130 km da cidade de São Paulo e 40 km de Campinas, com acesso principal pelas rodovias SP-340 e SP-107. O aeroporto mais próximo é o Internacional de Viracopos, em Campinas, distante 67 km. Para quem não utiliza carro próprio, é possível contratar passeios com agências locais que já incluem o transporte.

Sinta o perfume de um pedaço da Holanda no interior paulista

Holambra é o tipo de lugar que surpreende por existir exatamente onde está. Um grupo de famílias que cruzou o oceano fugindo da guerra conseguiu transformar uma fazenda em declínio no maior polo floricultor do país, sem jamais perder o sotaque ou as receitas de sua terra natal.

Vale a pena pisar nos campos de flores, subir ao mirante do moinho e provar um autêntico stampot para compreender como a Holanda e o Brasil cabem juntos em 65 km² de pura beleza e tradição.

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