O possível fim da escala 6×1 no Brasil acendeu um alerta no setor aéreo, com críticas diretas da liderança da Latam sobre impactos operacionais relevantes.
Como o CEO da Latam critica fim da escala 6×1 para aeronautas?
O CEO da Latam Airlines no Brasil, Jerome Cadier, afirmou que a proposta de acabar com a escala 6×1 pode trazer consequências severas para a aviação. Segundo ele, incluir aeronautas na mudança não faz sentido do ponto de vista operacional.
O executivo foi direto ao afirmar que, caso a medida avance sem ajustes, o país pode perder voos internacionais. Para ele, o modelo atual é essencial para manter operações longas e complexas funcionando.
Por que a mudança pode afetar voos internacionais?
Cadier destacou que a limitação da jornada pode inviabilizar voos com duração superior a 8 horas. Esse tipo de operação é comum em rotas internacionais e exige escalas específicas para garantir segurança e eficiência.
Sem flexibilidade na jornada, companhias teriam dificuldade em cumprir exigências técnicas. Isso impactaria diretamente conexões entre o Brasil e destinos de longa distância, reduzindo a competitividade do setor.
O que prevê o projeto do governo federal?
A proposta enviada ao Congresso em 2026 reduz a carga semanal de 44 para 40 horas, mantendo jornadas diárias de até 8 horas. O texto também estabelece dois dias consecutivos de descanso semanal remunerado.
O objetivo do governo é padronizar a jornada de trabalho no país, sem reduzir salários. A medida é defendida como forma de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e aumentar a produtividade.
Aeronautas já possuem regras específicas de trabalho?
Atualmente, pilotos, copilotos e comissários seguem normas próprias, definidas por legislação específica e critérios de segurança operacional. Essas regras consideram fatores como fadiga e tempo de voo.
Por isso, o setor defende que esses profissionais não sejam incluídos na nova legislação geral. A adaptação sem exceções pode gerar conflitos com padrões internacionais de segurança.
Quais profissionais podem ser impactados pela proposta?
A discussão envolve diferentes categorias dentro da aviação, cada uma com funções distintas. A inclusão ou não dessas classes no projeto ainda está em debate no Congresso. Entre os principais grupos afetados estão:
- Aeronautas como pilotos e comissários
- Mecânicos de voo que atuam em operações aéreas
- Aeroviários responsáveis por serviços em solo
- Profissionais de apoio em aeroportos e logística
Quais os possíveis reajustes no setor aéreo?
Cadier demonstrou confiança de que o setor conseguirá negociar mudanças na proposta. A expectativa é garantir exceções para atividades que exigem regimes diferenciados de trabalho.
Ele também ressaltou que eventuais alterações para aeroviários podem gerar impacto financeiro. Ainda assim, afirmou que, no caso da Latam, o efeito seria limitado devido ao número reduzido de funcionários nesse regime.