A nova fase da Operação Compliance Zero atingiu o núcleo político do caso envolvendo o empresário Daniel Vorcaro e aumentou a pressão sobre o dono do antigo Banco Master, reduzindo as chances de um eventual acordo de delação premiada avançar nos próximos dias.
Como a operação amplia a pressão sobre Daniel Vorcaro?
A quinta etapa da investigação teve como alvo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas e ex-ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro. A ofensiva foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, relator do caso envolvendo suspeitas de fraude financeira bilionária.
Segundo fontes ligadas à apuração, a Polícia Federal já reuniu informações consideradas robustas sobre o esquema investigado. Com isso, investigadores avaliam que a colaboração de Vorcaro perdeu parte de seu peso estratégico dentro do processo. As informações são da CNN.
Como a defesa de Vorcaro tenta acordo de colaboração?
A defesa do empresário apresentou uma proposta de delação à PGR e à Polícia Federal na última terça-feira. O material inclui relatos sobre encontros, viagens, festas e reuniões com políticos de diferentes grupos políticos.
Nos bastidores, porém, cresce a percepção de que o conteúdo entregue talvez não seja suficiente para garantir benefícios amplos ao empresário. Investigadores entendem que qualquer acordo dependerá da apresentação de provas inéditas e elementos realmente novos.
Qual o avanço das investigações?
A análise dos celulares de Daniel Vorcaro e de outros investigados passou a ser considerada peça-chave no avanço da operação. Integrantes da investigação afirmam que o material aponta possíveis conexões entre o empresário e autoridades públicas.
De acordo com interlocutores, os dados coletados ajudaram a identificar uma suposta rede de proteção política e empresarial. Esse cenário teria encorajado a PF a avançar sobre nomes influentes do chamado “andar de cima” da política nacional.
O que a PF aponta contra Ciro Nogueira?
O relatório enviado ao STF afirma que o senador teria recebido vantagens indevidas ligadas ao empresário do antigo Banco Master. A investigação cita movimentações financeiras e possíveis benefícios patrimoniais. Entre os principais pontos citados pela PF estão:
- apresentação de emenda para ampliar a cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão;
- suspeita de participação de integrantes do banco na elaboração da proposta;
- pagamentos mensais e benefícios financeiros;
- aquisição societária com forte deságio;
- custeio de despesas pessoais;
- uso de bens de alto valor;
- indícios de recebimento de dinheiro em espécie.
André Mendonça vê possível seletividade na defesa
Como revelou a CNN, o ministro André Mendonça teria relatado a interlocutores preocupação com uma possível estratégia seletiva da defesa do empresário. O magistrado passou a analisar mudanças na condução do caso após o avanço das investigações.
A avaliação é que algumas informações poderiam estar sendo apresentadas de forma parcial. Isso teria contribuído para aumentar a cautela das autoridades em relação à negociação de uma colaboração premiada.
Como a defesa de Ciro reage à operação?
Em nota, os advogados de Ciro Nogueira afirmaram que o senador não participou de qualquer atividade ilícita. A defesa também declarou que o parlamentar está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
O Progressistas divulgou comunicado defendendo o respeito ao amplo direito de defesa e ao devido processo legal. Enquanto isso, Ciro foi proibido de manter contato com testemunhas e outros investigados ligados à operação.