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O paraíso gaúcho com 36 cânions esculpidos há 130 milhões de anos e o maior conjunto de paredões da América do Sul

Por Maura Pereira
07/abr/2026
Em Geral
O paraíso gaúcho com 36 cânions esculpidos há 130 milhões de anos e o maior conjunto de paredões da América do Sul

Imagem ilustrativa / Cambará do Sul, terra dos cânions, abriga Itaimbezinho e Fortaleza nos Parques Aparados da Serra e Serra Geral, com paredões de até 700m.

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O vento gelado dos Campos de Cima da Serra corta o rosto antes de se chegar à borda. Lá embaixo, 720 metros de rocha cortada a prumo desaparecem na neblina. Cambará do Sul, no Rio Grande do Sul, é uma cidade de 6.400 habitantes que esconde abismos de quase mil metros de profundidade, dois parques nacionais e o maior conjunto de cânions da América do Sul, reconhecido pela UNESCO como parte do Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul.

Pedra afiada é o que o nome diz

Itaimbezinho vem do tupi-guarani: ita (pedra) e aimbé (afiada). Os tropeiros que cruzavam a serra no século XIX chamavam os desfiladeiros de “aparados”, porque pareciam cortados a faca. O próprio nome Cambará, também tupi, significa “folha de casca rugosa”, em referência a uma árvore medicinal que ainda pode ser vista na praça central, em frente à Igreja Matriz São José.

Os cânions nasceram de sucessivos derrames de lava basáltica que formaram o Planalto Meridional há cerca de 130 milhões de anos. A separação entre América do Sul e África rachou esse imenso bloco de rocha. Rios e chuvas completaram o trabalho, esculpindo gargantas verticais que hoje dividem os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina: a parte de cima fica no lado gaúcho, a de baixo, no catarinense.

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O paraíso gaúcho com 36 cânions esculpidos há 130 milhões de anos e o maior conjunto de paredões da América do Sul
Cambará do Sul ganha destaque como Terra dos Cânions, porta de entrada dos parques Aparados da Serra e Serra Geral no sul do Brasil. // Créditos: Wikipédia

Os dois gigantes dos parques nacionais

Dois parques administrados pelo ICMBio e geridos pela concessionária Urbia Cânions Verdes concentram as atrações principais.

  • Cânion Itaimbezinho (Parque Nacional de Aparados da Serra, criado em 1959): 5,8 km de extensão e até 720 metros de profundidade. A Trilha do Vértice (1,5 km, nível fácil) leva às cachoeiras das Andorinhas e Véu de Noiva. A Trilha do Cotovelo (6 km, plana) revela 75% dos paredões. Não abre às segundas.
  • Cânion Fortaleza (Parque Nacional da Serra Geral, criado em 1992): 7,5 km de muralha verde com até 900 metros de profundidade, o maior do Brasil. A Trilha da Pedra do Segredo (3 km) passa pela Cachoeira do Tigre Preto e por uma rocha que se equilibra sobre uma base mínima. Em dias limpos, o mirante revela o litoral de Torres. Não abre às terças.

O documentário “ALÉM DOS CÂNIONS de CAMBARÁ DO SUL”, do canal Diogo Elzinga, oferece uma visão profunda sobre a história, a cultura e os segredos dessa cidade nos Campos de Cima da Serra, no Rio Grande do Sul:

Além dos dois cânions mais famosos

A região tem 36 desfiladeiros, a maioria pouco conhecida. Alguns exigem trilhas longas ou acesso restrito, mas outros são acessíveis e surpreendentes.

  • Trilha do Rio do Boi: 8 km por dentro do Itaimbezinho, com travessias de rio e piscinas naturais. Acesso por Praia Grande (SC), obrigatório com guia.
  • Cachoeira dos Venâncios: quatro quedas em sequência formadas pelo Rio Camisas, a 23 km do centro. Águas cristalinas, boas para banho no verão.
  • Voo de balão: sobrevoo dos campos e das bordas dos cânions ao amanhecer. Virou marca registrada de Cambará do Sul.
  • Tirolesa do Cânion Fortaleza: inaugurada em 2023, com 720 metros de percurso sobre o abismo. Considerada a mais alta das Américas.
  • Cavalgada na borda: passeios de 1 a 3 horas por campos nativos, com vista para paredões dos cânions Cambajuva e Pinheirinho.
O paraíso gaúcho com 36 cânions esculpidos há 130 milhões de anos e o maior conjunto de paredões da América do Sul
Cambará do Sul (RS), na Cima da Serra a 1.019m, abriga parques nacionais Aparados da Serra e Serra Geral com cânions como Itaimbezinho. // Créditos: Wikimedia Commons

O que comer na Terra dos Cânions?

A gastronomia segue o ritmo do frio e da cultura campeira. O pinhão na chapa, fruto da araucária assado no fogão a lenha, é servido como entrada em quase todos os restaurantes. O carreteiro de charque, arroz com carne seca desfiada, carrega a herança dos tropeiros que cruzavam os campos de altitude.

A truta, criada nas águas geladas dos rios da serra, é o prato mais emblemático e aparece grelhada ou com molhos finos. O mel de Cambará é presença certa na mesa e nos souvenirs: a apicultura é uma das principais atividades econômicas do município. Fondues e café colonial completam a oferta para noites geladas.

Quando visitar os cânions?

A neblina pode cobrir a vista em minutos, especialmente no inverno. O verão oferece mais dias abertos, mas o frio da borda surpreende em qualquer estação. Leve agasalho mesmo em janeiro.

☀️ Verão
Dezembro a Fevereiro
12°C a 25°C
Temperatura
Dias longos ideais para a Cachoeira dos Venâncios e a desafiadora Trilha do Rio do Boi, por dentro do cânion Itaimbezinho.
⛈️ Chuva Alta
🍂 Outono
Março a Maio
8°C a 20°C
Temperatura
Céu mais limpo e nítido. Melhor época para os mirantes sem a neblina (ruge) e para a experiência mágica do voo de balão.
🌦️ Chuva Média
❄️ Inverno
Junho a Agosto
0°C a 14°C
Temperatura
Frio rigoroso com geadas. Aproveite o aconchego do fondue, o pinhão na chapa e o melhor da robusta gastronomia de serra.
☀️ Chuva Baixa
🌸 Primavera
Setembro a Novembro
8°C a 22°C
Temperatura
Natureza renovada. Estação perfeita para trilhas nos parques nacionais, cavalgadas pelos campos e aventuras na tirolesa.
🌦️ Chuva Média

Temperaturas aproximadas. Consulte a previsão atualizada no Climatempo. Condições podem variar.

O paraíso gaúcho com 36 cânions esculpidos há 130 milhões de anos e o maior conjunto de paredões da América do Sul
Contemple os gigantes cânions de Cambará do Sul, onde neblina e araucárias criam um paraíso selvagem e hipnotizante no RS. // Créditos: Wikimedia Commons

Como chegar à borda dos cânions?

Cambará do Sul fica a 185 km de Porto Alegre pela RS-020 (Rota do Sol), cerca de 3 horas de carro. De Gramado, são 113 km. Para quem vem de Santa Catarina, o acesso é pela Serra do Faxinal, a partir de Praia Grande. As estradas até os cânions incluem trechos de terra, e carro próprio ou alugado é o meio mais prático. Os aeroportos mais próximos são os de Caxias do Sul (137 km) e Porto Alegre (192 km).

A cidade onde se é pequeno diante da rocha

Cambará do Sul concentra, em pouco mais de 6 mil habitantes, paisagens que levaram milhões de anos para se formar. Da praça com a árvore cambará aos paredões do Itaimbezinho, tudo fica a menos de meia hora. Os campos de altitude, as araucárias, o silêncio e o vento gelado na borda criam uma experiência que nenhum cânion do mundo entrega com tanta proximidade.

Você precisa chegar à borda do Itaimbezinho, olhar para baixo e ficar em silêncio. Depois, comer pinhão no fogão a lenha e entender por que quem visita Cambará do Sul volta diferente.

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