A 300 km de Palmas, o Jalapão, constantemente chamado de “deserto de águas” é uma das regiões mais remotas do Tocantins e uma das mais surpreendentes do país. Dunas de areia convivem com fervedouros de água cristalina onde ninguém afunda.
Um dos últimos pedaços de cerrado intocado do Brasil
O Parque Estadual do Jalapão foi criado em 12 de janeiro de 2001 e tem 158.970,95 hectares distribuídos entre Mateiros e São Félix do Tocantins. É o maior parque estadual do Tocantins e a principal atração turística do estado.
A vegetação é de cerrado ralo, campo limpo e veredas de buriti, com rios que cortam o chapadão em águas transparentes. Por estar encaixado entre outras unidades de conservação, como a Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins e o Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba, o Jalapão forma um dos maiores corredores preservados do Cerrado.
O que são os fervedouros que deixam o banhista flutuando?
São nascentes de rios subterrâneos que jorram com pressão suficiente para impedir que o corpo afunde. O fundo arenoso empurra o banhista para a superfície, criando a sensação de gravidade suspensa em uma água verde-clara a 24 graus.
Cada fervedouro tem personalidade própria. Os mais visitados ficam em áreas privadas, com ingresso cobrado à parte do acesso ao parque, e entraram na rotina de quem chega ao Jalapão querendo entender o fenômeno antes de tentar explicar.
- Fervedouro do Ceiça: o maior da região, em Mateiros. Vegetação densa em volta e água transparente que chega a três metros de profundidade.
- Fervedouro Bela Vista: piscina natural cercada de veredas de buriti, procurado pelo cenário fotogênico no fim da tarde.
- Fervedouro do Buritizinho: menor e mais reservado, com estrutura simples e poucos visitantes simultâneos.
- Fervedouro Soninho: mais afastado, de visitação restrita, preserva o silêncio do cerrado no entorno.
Explorar o cerrado exige planejamento e dicas de quem conhece o terreno. O vídeo é do canal Rolê Família, que conta com mais de 270 mil inscritos, e detalha um roteiro de 5 dias pelo Jalapão, apresentando fervedouros, a Cachoeira do Formiga e as dunas:
Dunas, cachoeiras e um rio para descer de bote
A lista de atrativos vai muito além dos fervedouros. O circuito clássico combina dunas, quedas d’água e formações rochosas em trajetos que exigem veículo 4×4 e paciência com as estradas de areia fofa.
- Dunas do Jalapão: bancos de areia dourada de até 40 metros aos pés da Serra do Espírito Santo. Trilha curta até o topo e pôr do sol considerado o mais icônico da região.
- Cachoeira da Velha: queda em forma de ferradura no rio Novo, ponto de partida para o rafting do trecho mais famoso do Jalapão.
- Cachoeira do Formiga: poço verde-esmeralda com areia calcária no fundo, uma das imagens mais reproduzidas da região.
- Pedra Furada: formação rochosa esculpida pelo vento em Ponte Alta do Tocantins, cenário clássico de fim de tarde.
- Cânion Sussuapara: fenda estreita com cerca de 25 metros de profundidade, paredes cobertas de samambaias e uma pequena cachoeira ao fundo.
O ouro do cerrado trançado em Mumbuca
A comunidade quilombola de Mumbuca, a 35 km de Mateiros, é referência nacional no artesanato de capim dourado. O povoado tem mais de 300 anos e foi fundado por descendentes de pessoas escravizadas vindas do sertão baiano, segundo registro do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
A técnica de costurar o capim com a seda do buriti foi passada pelos indígenas Xerente às artesãs de Mumbuca. O capim dourado (Syngonanthus nitens) só pode ser colhido entre 20 de setembro e 20 de novembro, por determinação do Naturatins, e a colheita anual vira festa na comunidade.
Quando é a melhor época para visitar o Jalapão?
A estação seca, entre maio e setembro, é a mais indicada. As estradas de terra ficam firmes, o céu abre e os fervedouros alcançam o azul mais nítido. Entre outubro e abril, a chuva pode transformar trechos em atoleiros.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar ao Jalapão?
A porta de entrada é o Aeroporto Brigadeiro Lysias Rodrigues, em Palmas, capital do Tocantins. De lá, o trajeto até Mateiros soma cerca de 300 km por asfalto e estradas de terra, feito em veículo 4×4 acompanhado de guias ou operadoras credenciadas. Ponte Alta do Tocantins e Novo Acordo são as principais rotas de acesso.
Vale a viagem até o coração do Tocantins
O Jalapão recompensa cada hora de estrada com paisagens que não se repetem em nenhum outro destino brasileiro. É cerrado bruto, silêncio real e água cristalina num mesmo horizonte.
Você precisa atravessar o Tocantins pelo menos uma vez e sentir a sensação de flutuar num fervedouro enquanto o céu do cerrado abre sobre a cabeça.