A 72 km de São Paulo, uma cidade que deve sua existência a uma fortaleza militar de 1902 entrega 22 km de orla urbanizada, 12 praias com personalidades distintas e esculturas gigantes de Gandhi, Mandela e Iemanjá ao longo do calçadão. Praia Grande, na Baixada Santista, recebe cerca de 1,86 milhão de turistas a cada verão e é o quarto destino nacional em visitantes na temporada, segundo o Ministério do Turismo. Os paulistanos chamam a cidade de PG, e quem desce a serra pela Rodovia dos Imigrantes chega em pouco mais de uma hora.
A fortaleza que criou uma cidade e abrigou Pelé
Antes da fortaleza, o lugar era vila de pescadores. Os tupiniquins chamavam a região de Piaçabuçu, “porto grande”. Em 1902, o governo paulista mandou erguer a Fortaleza de Itaipu numa área de Mata Atlântica na ponta norte da praia para proteger a entrada do Porto de Santos. A construção de estradas, porto e saneamento para abastecer a obra acabou dando origem à própria cidade.
A fortaleza é formada por três fortes: Duque de Caxias, Jurubatuba e Rego Barros, o último forte costeiro construído no Brasil. Na Revolução Constitucionalista de 1932, a guarnição se alinhou aos paulistas contra Getúlio Vargas. Bombardeada por hidroaviões governistas, substituiu os canhões por réplicas de madeira pintada e embarcou a artilharia verdadeira num trem adaptado, apelidado de “Fantasma da Morte”. Em 1959, Pelé prestou serviço militar ali, um ano depois de conquistar a Copa do Mundo na Suécia. A emancipação de São Vicente veio só em 1967, após plebiscito em que 680 dos 707 eleitores votaram a favor.
22 km de calçadão e 12 praias com nomes próprios
A costa se estende em linha reta do Canto do Forte ao Solemar, dividida em 12 praias. O calçadão acompanha toda a extensão, com ciclovia, quiosques padronizados, academias ao ar livre e chuveiros públicos.
- Canto do Forte: a mais tranquila, na ponta norte, com vista para a Fortaleza de Itaipu e nascer do sol disputado. Concentra os melhores restaurantes de frutos do mar da cidade.
- Boqueirão: a mais urbana e movimentada, com infraestrutura completa, prédios ao fundo e palco de réveillon com queima de fogos.
- Guilhermina: agito, feiras de artesanato, surfe e vida noturna. Aqui fica a Praça da Paz.
- Aviação: nome herdado de um antigo aeroclube. Ondas mais fortes, boa para surfe e bodyboard. Recebe palco de shows no verão.
- Ocian: sede da Estátua de Netuno (1956) e da Boutique do Peixe, mercado em formato de barco com pescado fresco direto dos barcos.
- Vila Mirim: abriga a Estátua de Iemanjá, com 9 metros de altura sobre espelhos d’água. Em dezembro, a tradicional Festa de Iemanjá reúne milhares de fiéis.
Praia Grande se destaca no litoral paulista por seus índices superiores de saneamento e educação básica. O vídeo é do canal Explora Brasil, que conta com mais de 37 mil inscritos, e detalha dados surpreendentes sobre infraestrutura e segurança:
Esculturas gigantes, canhões na areia e um mercado em formato de barco
Praia Grande espalha arte e história ao longo da orla. A Praça da Paz, no cruzamento das avenidas Brasil e São Paulo, reúne sete esculturas de aço e ferro com cerca de 10 metros de altura cada, assinadas pelo artista Gilmar Pinna. As figuras representam Gandhi, Madre Teresa, Mandela, Jesus Cristo, Papa João Paulo II e outras personalidades. São ocas e permitem que o visitante entre e leia a descrição de cada homenageado.
No extremo norte, a Fortaleza de Itaipu ocupa 2,4 milhões de metros quadrados dentro do Parque Estadual Xixová-Japuí, com 900 hectares de Mata Atlântica, costão rochoso e canhões desativados apontando para o mar. A 92 metros acima do nível do mar, a vista alcança toda a enseada e a baía de Santos. As Boutiques do Peixe, no Canto do Forte e na Ocian, vendem pescado fresco direto dos barcos todas as manhãs em prédios com arquitetura de arraia e de barco.
Casquinha de siri, moqueca e a Festa da Tainha
A tradição pesqueira marca a mesa de Praia Grande. A casquinha de siri é o petisco mais pedido nos quiosques da orla. Moqueca, camarão na moranga e pastéis de camarão completam o cardápio caiçara. Os restaurantes do Canto do Forte, concentrados na Avenida Marechal Mallet, formam a principal rota gastronômica. No inverno, a Festa da Tainha celebra a safra do peixe com gastronomia e cultura local.
Quando ir a Praia Grande e como é o clima?
O clima é tropical úmido, quente o ano inteiro. O verão é alta temporada, com sol intenso e mar aquecido. O inverno seco favorece passeios culturais e visitas à fortaleza.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à PG dos paulistanos
Praia Grande fica a 72 km de São Paulo pela Rodovia dos Imigrantes (SP-160), cerca de 1h15 sem trânsito. A Rodovia Anchieta (SP-150) e a Padre Manuel da Nóbrega (SP-55) também servem a cidade. Ônibus partem da Rodoviária do Jabaquara com frequência ao longo do dia. A Prefeitura de Praia Grande mantém informações atualizadas sobre visitas à Fortaleza de Itaipu e eventos.
Desça a serra e caminhe os 22 km que o mar desenhou
Praia Grande é a cidade que uma fortaleza militar criou por acidente, onde Pelé foi recruta um ano depois de campeão do mundo, onde canhões de madeira enganaram hidroaviões em 1932 e onde 22 km de calçadão ligam esculturas de Mandela, uma estátua de Iemanjá de 9 metros e um mercado de peixe em formato de barco. Tudo isso a pouco mais de uma hora da maior metrópole da América do Sul.
Você precisa descer a serra, caminhar a orla de PG do Canto do Forte até onde as pernas aguentarem e entender por que quase 2 milhões de paulistanos escolhem essas praias todo verão.