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Início Justiça

Nova Lei Antifacção promete mudar a estratégia de enfrentamento ao crime organizado no país

Por Junior Melo
13/abr/2026
Em Justiça
Nova Lei Antifacção promete mudar a estratégia de enfrentamento ao crime organizado no país

Violência - Créditos: depositphotos.com / AndrewLozovyi

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A entrada em vigor da Lei nº 15.358/2026, conhecida como Lei Antifacção, marca uma mudança profunda na forma como o Brasil enfrenta o crime organizado, ampliando instrumentos de repressão, inteligência e controle econômico.

O que é a Lei Antifacção e por que ela muda o combate ao crime organizado?

A Lei Antifacção, também chamada de Lei Raul Jungmann, representa um novo marco legal no enfrentamento às organizações criminosas no Brasil. Ela foi aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada com vetos presidenciais, promovendo mudanças amplas no direito penal e processual.

Na prática, a norma redefine o modelo anterior baseado na Lei nº 12.850/2013, ampliando o foco estatal para estruturas criminosas mais complexas. O objetivo é atingir organizações que exercem poder real sobre territórios, economias e instituições.

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Como a Lei nº 15.358/2026 redefine o conceito de crime organizado?

Um dos principais avanços da nova legislação é a substituição do conceito tradicional de associação criminosa pelo de “domínio social estruturado”. Esse novo enquadramento busca capturar organizações que operam com controle territorial e influência institucional.

Isso significa que o foco deixa de ser apenas a formação de grupos criminosos e passa a considerar o impacto sistêmico dessas estruturas. A mudança amplia o alcance da atuação penal e reforça a intervenção do Estado em setores estratégicos.

Quais são as novas penas e condutas previstas na legislação?

A lei tipifica condutas de alta gravidade associadas ao controle criminoso estruturado, prevendo punições mais severas. As penas variam entre 20 e 40 anos de reclusão, dependendo da natureza do crime e do impacto social.

As condutas abrangem desde ataques a serviços essenciais até sabotagem de infraestrutura crítica. Também passam a ser incluídas práticas envolvendo tecnologias avançadas e mecanismos de vigilância. Entre os principais atos criminalizados estão:

  • Controle territorial por meio de violência ou ameaça
  • Ataques a instituições públicas ou privadas
  • Sabotagem de infraestrutura crítica
  • Uso de criptografia e tecnologia para fins criminosos
  • Interferência em serviços essenciais

Como a lei reforça o combate financeiro e a inteligência estatal?

A nova legislação aposta fortemente na asfixia financeira das organizações criminosas como estratégia central de combate. Para isso, amplia o alcance de bloqueios e confiscos de bens, incluindo ativos digitais.

Além disso, a lei fortalece a integração entre órgãos de inteligência e cria novas ferramentas de cooperação institucional. Isso inclui bancos de dados unificados e mecanismos de compartilhamento de informações. Entre os principais instrumentos previstos estão:

  • Bloqueio e sequestro de bens e valores
  • Confisco de criptomoedas e ativos digitais
  • Alienação antecipada de patrimônio apreendido
  • Banco Nacional de Dados de Organizações Criminosas
  • Fortalecimento das forças-tarefa integradas (FICCOs)

Quais são os impactos no sistema penal, empresas e garantias constitucionais?

No sistema penal, a lei endurece o regime de execução, restringindo benefícios como liberdade condicional, anistia e indulto para lideranças criminosas. Também amplia o uso de presídios de segurança máxima.

Ao mesmo tempo, surgem debates sobre limites constitucionais e segurança jurídica. A ampliação de conceitos como domínio social estruturado exige interpretação cuidadosa para evitar excessos punitivos. No setor empresarial, a legislação inaugura uma nova era de compliance estrutural, exigindo maior controle sobre relações comerciais e financeiras:

  • Due diligence ampliada em relações comerciais
  • Monitoramento contínuo de parceiros e fornecedores
  • Integração entre áreas jurídicas e financeiras
  • Avaliação de riscos indiretos de vinculação criminosa

O que representa a Lei Antifacção para o futuro da segurança pública?

A Lei Antifacção consolida um modelo mais integrado entre repressão penal, inteligência e controle econômico. O foco deixa de ser apenas a punição individual e passa a atingir a estrutura financeira e organizacional do crime.

Apesar dos avanços, sua eficácia dependerá da aplicação proporcional e da construção jurisprudencial consistente. O equilíbrio entre segurança pública e direitos fundamentais será decisivo para o sucesso do novo modelo.

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