O governo da Colômbia iniciou a conservação das primeiras peças do galeão San José, naufragado no século 18 e considerado um dos maiores tesouros submersos do mundo, em meio a uma disputa internacional por sua propriedade.
Por que o galeão San José é considerado o Santo Graal dos naufrágios?
O galeão San José afundou em 1708 no Caribe após confronto com corsários ingleses, enquanto seguia rumo a Cartagena das Índias. A embarcação transportava um carregamento estimado em milhões de moedas de ouro e prata.
Com o naufrágio, o navio se tornou um dos mais cobiçados achados arqueológicos subaquáticos da história. O tesouro atual é avaliado em bilhões de dólares, o que alimenta disputas diplomáticas e jurídicas sobre sua posse.
Como foram recuperadas as primeiras peças do naufrágio?
As primeiras peças do San José foram retiradas do fundo do mar por equipes especializadas com o uso de robôs subaquáticos e técnicas de arqueologia marítima. Toda a operação seguiu um plano técnico aprovado por instituições científicas e governamentais da Colômbia.
Participaram do processo o Ministério da Cultura, a Marinha Nacional, a DIMAR e o ICANH, garantindo controle rigoroso na retirada dos artefatos. As ações fazem parte da segunda fase do projeto de pesquisa “Em direção ao coração do Galeão de San José”. Entre os elementos operacionais e estruturais da missão, destacam-se:
- Uso de robôs de precisão para coleta em profundidade
- Monitoramento científico em tempo real das escavações
- Planejamento conjunto entre instituições marítimas e culturais
- Preservação imediata dos materiais após a retirada
Quais artefatos foram encontrados na primeira fase do projeto?
As escavações resultaram na recuperação de peças históricas que ajudam a reconstruir a carga e a rotina do navio. Entre os itens estão objetos de alto valor arqueológico e cultural.
A lista inclui elementos de diferentes materiais, como metal, cerâmica e madeira, revelando a diversidade da carga transportada pelo galeão:
- 3 macuquinas (moedas coloniais)
- 2 xícaras de porcelana completas
- 2 fragmentos de porcelana
- 1 canhão de bronze
- Fragmento de corda associado ao canhão
- Pequenos fragmentos de metal e madeira
Como está sendo feita a conservação dos objetos resgatados?
Após a recuperação, os artefatos passaram por um processo inicial de estabilização a bordo do navio ARC Caribe. Esse procedimento evita a deterioração imediata causada pela mudança de ambiente. O canhão de bronze foi mantido úmido e refrigerado a 4°C, enquanto as peças de porcelana e moedas permaneceram em água do mar para evitar ressecamento e corrosão.
Atualmente, os objetos estão sob custódia do Laboratório de Patrimônio Cultural Subaquático do CIOH, em Cartagena, e do Museu Nacional da Colômbia, em Bogotá. Um sistema especial com piscina controlada mantém condições semelhantes ao fundo do mar.
O que as peças revelam sobre comércio global do século 18?
Além do valor material, os achados oferecem informações sobre rotas comerciais e trocas culturais do século 18. Estudos indicam que o navio transportava mercadorias ligadas ao intenso comércio atlântico da época.
Um dos destaques são as xícaras de porcelana chinesa do período Kangxi (1662–1722), consideradas raras e extremamente bem preservadas no Caribe. Pesquisadores afirmam que esses objetos ajudam a entender a expansão do consumo global e a circulação de produtos entre Ásia, Europa e Américas. Entenda a história do náufrago no vídeo abaixo (Reprodução/YouTube/Raízes no Infinito):
O que os estudos científicos podem revelar sobre o naufrágio?
A análise dos materiais permitirá identificar a composição metalúrgica das peças, além de suas origens e técnicas de fabricação. Isso ajuda a reconstruir a história da embarcação com maior precisão.
Esses dados também podem esclarecer rotas marítimas, práticas comerciais e até as possíveis causas do afundamento do San José. O estudo integra arqueologia, química e história global.