A 72 km de São Paulo, uma ilha com mais de 470 anos de história reúne o maior jardim frontal de praia do planeta, o maior porto da América Latina, o aquário público mais antigo do Brasil e o museu do jogador mais famoso de todos os tempos. Santos recebe cerca de 7 milhões de visitantes por ano e prova que uma cidade portuária pode ser, ao mesmo tempo, museu a céu aberto, praia urbana e palco de futebol. Fundada em 1546 por Brás Cubas, é uma das vilas mais antigas das Américas.
Do café que fez o porto ao jardim que entrou no Guinness
Santos nasceu como porto. No século XIX, a cidade se tornou o centro nervoso do ciclo do café brasileiro: por aqui passava quase toda a produção que saía do país rumo à Europa. A riqueza do café ergueu a Bolsa Oficial do Café, edifício eclético inaugurado em 1922 que hoje abriga o Museu do Café, uma das atrações mais visitadas do litoral paulista. O Porto de Santos, com 13 km de cais, segue movimentando mais de um quarto de todas as cargas que entram e saem do país.
Na orla, o Jardim da Praia de Santos foi certificado pelo Guinness World Records em 2002 como o maior jardim frontal de praia do mundo: são 5.335 metros de canteiros floridos com mais de 70 espécies ornamentais, 38 monumentos e ciclovia ao longo de sete praias. Os canais a céu aberto que cortam a cidade foram projetados pelo sanitarista Saturnino de Brito no início do século XX e viraram pontos de referência urbana.
Bondes de cinco países e uma Bolsa de Café que virou museu
O centro histórico de Santos rivaliza com a orla pela atenção dos turistas. Um terço dos visitantes já aponta a área histórica como principal interesse, segundo pesquisa do Instituto de Pesquisas A Tribuna.
- Museu do Café: instalado na antiga Bolsa Oficial do Café (1922), conta a história do grão que financiou o desenvolvimento do Brasil. Cafeteria disputada no salão principal.
- Bonde Turístico: bondes dos séculos XIX e XX percorrem 5 km pelo centro histórico em 40 minutos. Vieram da Escócia, Portugal, Japão e Itália. Há um em homenagem a Pelé. Saída da Estação do Valongo, prédio de 1867 da primeira ferrovia paulista.
- Museu Pelé: nos Casarões do Valongo, com troféus, camisas, chuteiras e documentos do Rei do Futebol. Entrada gratuita.
- Monte Serrat: funicular sobe ao mirante com vista de 360 graus da cidade, do porto e da serra. No topo, a Capela de Nossa Senhora do Monte Serrat (1603), padroeira da cidade. Opção: subir pelos 402 degraus da Via Sacra.
- Santuário Santo Antônio do Valongo: igreja barroca de 1640, com azulejos que retratam a vida de Santo Antônio. Uma das primeiras igrejas do país.
- Casa da Frontaria Azulejada: fachada com 7 mil azulejos coloridos, um dos prédios mais fotografados do centro.
Santos é apresentada como a principal cidade do litoral paulista, destacando-se pelo equilíbrio entre história, economia e lazer. O vídeo do canal Coisas do Mundo, com 146 mil inscritos, ressalta o Porto de Santos (o maior da América Latina), o centro histórico preservado e o maior jardim frontal de praia em extensão do mundo.
319 prédios tortos e um mural do Kobra na Ponta da Praia
Santos carrega uma curiosidade urbanística que virou atração involuntária: 319 prédios tortos mapeados no final de 2023. Construídos nas décadas de 1950 e 1960, começaram a inclinar nos anos 1970 devido ao solo instável da ilha. A prefeitura monitora as estruturas por laudos periódicos e garante que não há risco de colapso. Para os visitantes, caminhar pela orla observando a inclinação dos edifícios é parte do passeio.
Na Ponta da Praia, o mural “Coração Santista”, pintado pelo artista Kobra em 2020, representa o Museu do Café, o bonde, Pelé e um estivador do porto. É nessa mesma região que turistas e moradores se reúnem para ver navios de cruzeiro e cargueiros entrando e saindo do maior porto latino-americano. A temporada de cruzeiros vai de novembro a março.
Vila Belmiro, aquário de 1945 e escunas pela baía
A Vila Belmiro, inaugurada em 1916, é a casa do Santos Futebol Clube e o palco que revelou Pelé e Neymar. Tours guiados levam aos vestiários, à sala de imprensa e à beira do gramado. O Memorial das Conquistas, dentro do estádio, exibe troféus e flâmulas do clube.
O Aquário Municipal de Santos, inaugurado em 1945, é o mais antigo do Brasil e abriga 32 tanques com tubarões, pinguins e peixes tropicais. Passeios de escuna partem da Ponte Edgard Perdigão e percorrem a baía em 1h30, com parada para banho na Praia do Góes ou na Ilha das Palmas. A Meca Santista, prato oficial da cidade, leva peixe grelhado com camarões, risoto de palmito pupunha e farofa de banana-da-terra.
Quando ir a Santos e como é o clima?
O clima é tropical úmido, quente o ano inteiro. O inverno seco é ideal para passeios culturais. O verão é alta temporada nas praias.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à cidade do maior porto e do maior jardim
Santos fica a 72 km de São Paulo pela Via Anchieta ou Rodovia dos Imigrantes, menos de 1h30 de carro fora de horários de pico. Não há aeroporto comercial na cidade; o mais próximo é Congonhas (80 km) ou Guarulhos (100 km). Ônibus rodoviários partem da Rodoviária do Tietê com frequência. A Prefeitura de Santos mantém informações atualizadas sobre turismo e eventos. Guarujá fica do outro lado da baía, acessível por balsa em 10 minutos.
Desça a serra e caminhe pelo jardim que o mundo mediu
Santos é a cidade que fundou o porto que moveu o café, ergueu a Bolsa que virou museu, consagrou Pelé na Vila Belmiro e plantou 5,3 km de jardim que o Guinness mediu e certificou. Os prédios inclinam, os bondes de cinco países circulam, o mar bate no cais onde cruzeiros atracam e o maior porto da América Latina pulsa ao lado de igrejas de 1640.
Você precisa descer a serra, pegar o bonde na Estação do Valongo, tomar um café no salão da antiga Bolsa e caminhar pela orla até entender por que Santos nunca foi só praia.