A 290 km de Campo Grande, Bonito esconde rios onde se enxerga o fundo a dez metros de profundidade, cavernas com lagos azuis e um sistema de voucher único que virou modelo internacional de turismo sustentável.
A cidade que fez do calcário seu maior patrimônio
Bonito fica no sul de Mato Grosso do Sul, encaixada na Serra da Bodoquena. A resposta para as águas cristalinas está no subsolo: a região é dominada por maciços de rocha calcária que filtram naturalmente a água, deixando partículas suspensas presas no fundo dos rios.
Esse processo raro criou um conjunto único de rios transparentes, dolinas e cavernas submersas no mesmo território. A cidade integra o polo turístico da Serra da Bodoquena com Jardim, Bodoquena e Porto Murtinho, abrigando a maior área contínua de florestas do estado, segundo a Secretaria de Turismo de Bonito.
Como funciona o voucher único que virou modelo mundial?
Nenhum passeio em Bonito pode ser comprado direto na portaria do atrativo. Todas as atividades são vendidas apenas por agências credenciadas, que emitem um documento chamado Voucher Único, válido para a entrada nos atrativos.
O sistema controla a capacidade de carga de cada passeio, evita superlotação e mantém preços tabelados em todas as agências. O modelo rendeu à cidade o prêmio World Responsible Tourism Awards, na World Travel Market de Londres, segundo a Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul. Bonito também aparece há mais de uma década consecutiva entre os melhores destinos de ecoturismo do país no prêmio da revista Viagem & Turismo.
Bonito, em Mato Grosso do Sul, é um dos principais destinos de ecoturismo do Brasil, oferecendo uma variedade incrível de atividades em meio à natureza. O vídeo do canal Destinos Imperdíveis destaca algumas das experiências mais marcantes da região:
Quais atrações não podem ficar de fora do roteiro?
São mais de 46 opções de passeios dentro e ao redor do município. A dificuldade costuma ser escolher, e quem tem apenas três dias precisa priorizar uma atividade de cada tipo.
- Gruta do Lago Azul: caverna descoberta em 1924 por um indígena da etnia Terena, com lago subterrâneo de mais de 90 metros de profundidade e coloração intensa entre setembro e fevereiro.
- Rio Sucuri: flutuação em águas cristalinas cercadas por vegetação ciliar, com cardumes de dourados e piraputangas.
- Rio da Prata: outro rio de flutuação, com cerca de 2 km de percurso entre peixes coloridos em um aquário natural.
- Abismo Anhumas: rapel de 72 metros até um salão subterrâneo com lago de 80 metros de profundidade, equivalente a descer um prédio de 26 andares.
- Buraco das Araras: uma das maiores dolinas da América do Sul, com 100 metros de profundidade e colônia de araras-vermelhas voando entre os paredões.
Os fósseis pré-históricos escondidos no fundo da gruta
A Gruta do Lago Azul guarda mais do que paisagem. Foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1978 e declarada Monumento Natural por seu valor paisagístico e científico.
Mergulhos de expedições franco-brasileiras nos anos 1990 revelaram fósseis de animais da megafauna no fundo do lago, entre eles ossadas de preguiça-gigante e de tigre-dente-de-sabre. Hoje, a caverna é visitação apenas contemplativa, com iluminação natural entrando pela abertura de cerca de 40 metros na entrada.
O que se come em Bonito?
A cozinha segue o sotaque do Centro-Oeste, com influência paraguaia, pantaneira e gaúcha. Os peixes de rio e a carne de boi dividem os cardápios dos restaurantes do centro.
- Pacu assado: peixe típico da bacia do Prata, servido inteiro com recheio de farofa.
- Chipa: pão de queijo em formato de rosca, herança paraguaia, comum em cafés da manhã.
- Sopa paraguaia: bolo salgado de fubá com cebola e queijo, apesar do nome.
- Doce de leite artesanal: fabricado em fazendas da região e vendido fresco no comércio local.
Quando é a melhor época para ver as águas mais cristalinas?
A estação seca, entre maio e setembro, costuma ser a mais indicada porque as chuvas reduzem e os rios mantêm a transparência ideal para flutuação. A alta temporada segue o calendário escolar de julho.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à capital brasileira do ecoturismo?
Bonito fica a cerca de 290 km de Campo Grande pela BR-060, BR-262 e pela estadual MS-382, em um trajeto de pouco mais de 3 horas. A cidade também tem aeroporto próprio, o Aeroporto Regional de Bonito, que opera voos diretos de São Paulo. Vale lembrar que o estado segue o fuso horário UTC-4, uma hora atrás de Brasília.
Mergulhe na cidade que ensinou o Brasil a preservar turismo
Bonito é daqueles lugares onde a natureza e a gestão caminham juntas. O controle de acesso, a transparência das águas e a presença constante de guias locais tornam cada passeio uma aula de equilíbrio entre visitação e preservação.
Você precisa flutuar no Rio Sucuri uma vez na vida e entender por que uma cidade de 22 mil habitantes virou exemplo mundial de como receber turistas sem sufocar a floresta.