A crise financeira das empresas brasileiras atingiu um novo patamar em 2025, com o número de recuperações judiciais alcançando recorde histórico e acendendo alerta no mercado.
Como o número de recuperações judiciais bateu recorde no Brasil?
O total de empresas em recuperação judicial chegou a 5.680 em 2025, um salto expressivo frente às 4.568 registradas no ano anterior. O avanço de quase 25% marca o maior nível já observado na série histórica do monitoramento do setor.
Esse cenário reflete um acúmulo de pressões econômicas e estruturais, que ganharam força em um ambiente de crédito mais caro e restrito. O resultado coloca milhares de companhias na chamada “linha vermelha” financeira.
Juros altos são o principal motor da crise empresarial?
O fator mais decisivo por trás da escalada é a taxa Selic em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas. O custo elevado do crédito dificultou o acesso a capital e pressionou o caixa das empresas.
Além disso, a combinação de inflação persistente, câmbio instável e custos operacionais elevados agravou a situação. Esse conjunto criou um ambiente desafiador, especialmente para negócios mais alavancados.
Por que o agronegócio lidera disparada de pedidos mesmo com crescimento?
O agronegócio foi o setor mais impactado, com 1.990 pedidos de recuperação judicial em 2025, alta de 56,4%. O número é o maior desde o início do monitoramento da Serasa Experian.
Mesmo com supersafras e crescimento de 11,7% do PIB agropecuário, muitos produtores enfrentaram dificuldades financeiras. A queda nos preços das commodities e o aumento dos custos anularam os ganhos de produtividade.
Quais setores mais sofrem com a recuperação judicial?
Os dados mostram que o impacto não é uniforme entre os setores da economia. A taxa de empresas em recuperação varia significativamente conforme o segmento. Entre os principais destaques estão:
- Agronegócio com 13,53 casos por mil empresas
- Indústria com índice de 6,74
- Infraestrutura com 4,11
- Comércio com 1,81
- Serviços com 1,02
A média nacional ficou em 2,13 recuperações por mil empresas, evidenciando a forte concentração da crise em setores produtivos.
Dívidas bilionárias aumentam risco sistêmico?
As empresas em recuperação acumulam cerca de R$ 40 bilhões em dívidas, sendo que quase metade está concentrada em um único caso. A petroquímica Unigel responde por aproximadamente R$ 19 bilhões desse total.
A entrada de grandes companhias no processo aumenta o risco de efeito cascata. Pequenas e médias empresas que dependem dessas gigantes podem ser diretamente impactadas pela interrupção de pagamentos e contratos.
Quais os impactos da alta taxa de falência?
Apesar de 71% das empresas conseguirem se recuperar e retomar atividades sem supervisão judicial, o índice de falência subiu para 29%, o maior da série recente. Historicamente, esse percentual girava em torno de 20%.
O cenário gera preocupação política, especialmente para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Com eleições se aproximando, a expectativa é de que 2026 possa registrar novos recordes, ampliando a pressão econômica e eleitoral.