A 225 km de Campo Grande e a 120 km da fronteira com o Paraguai, Dourados abriga duas universidades públicas, a maior reserva indígena em contexto urbano do Brasil e uma mesa onde a chipa divide espaço com o sobá. A Dourados saiu de um pequeno núcleo agrícola para se tornar uma das maiores potências do interior do estado, acumulando um crescimento impressionante de cerca de 1.200% em 70 anos.
A cidade que nasceu de um decreto em 1935
Dourados foi criada pelo Decreto nº 30, de 20 de dezembro de 1935, desmembrada do município de Ponta Porã. Antes disso, a região era habitada por povos Guarani, Kaiowá e Terena, e seus descendentes seguem ali até hoje, segundo o histórico oficial publicado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A partir dos anos 1940, o município recebeu levas de gaúchos, paulistas, paranaenses e japoneses atraídos pela Colônia Agrícola Nacional de Dourados (CAND) e pelo solo fértil. O crescimento foi rápido: em 1960, já era a cidade mais populosa de todo o antigo Mato Grosso, superando Cuiabá.
Como é morar na Capital do Sudoeste de Mato Grosso do Sul?
É viver em um centro regional que serve mais de um milhão de pessoas espalhadas por cerca de 30 municípios vizinhos. Segundo a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), o município concentra comércio, serviços, agroindústria e saúde de referência para toda a região fronteiriça.
As avenidas são largas e planas, projetadas para o fluxo de uma capital regional. A segunda maior cidade do estado também é um dos poucos municípios do interior brasileiro a reunir duas universidades públicas: a UFGD e a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), que somam mais de 200 cursos e atraem estudantes de todo o país.
A reserva indígena que fica dentro do perímetro urbano
As aldeias Jaguapiru e Bororó formam a Reserva Indígena de Dourados, com cerca de 3.475 hectares cortados pela rodovia MS-156. É a maior reserva em contexto urbano do país, e o perímetro da cidade avança até o limite dela, separado apenas por um anel viário.
Segundo o Censo 2022 do IBGE, 13.473 indígenas vivem na reserva, divididos entre os povos Guarani, Kaiowá e Terena. A presença é visível no artesanato de sementes e palha vendido nas feiras, nos nomes de ruas e bairros e na rotina do cotidiano douradense.
Dourados, situada no Mato Grosso do Sul, é apresentada neste vídeo como uma das cidades mais prósperas e fascinantes do interior do estado. Com uma população aproximada de 245 mil habitantes, destaca-se como um centro logístico e económico vital.
O que se come em uma cidade de fronteira e múltiplas heranças?
A mesa reflete o encontro de brasileiros, paraguaios e japoneses. Não é incomum entrar em uma padaria de bairro e encontrar chipa recém-saída do forno ao lado de sobá em pote.
- Tereré: erva-mate com água gelada, bebida ritual compartilhada em rodas de amigos e colegas de trabalho ao longo do dia.
- Sopa paraguaia: apesar do nome, é uma torta salgada densa feita de fubá, queijo e cebola, servida em pedaços firmes.
- Chipa: rosquinha de polvilho com queijo, comum no café da manhã e nos lanches vendidos na rua.
- Sobá: macarrão de origem okinawana trazido pela colônia japonesa, servido em caldo e tradicional nas feiras.
Onde encontrar lazer e natureza no dia a dia?
A cidade mantém parques urbanos espalhados pelos bairros, além de praças que viraram pontos de encontro depois do trabalho. O verde aparece até no centro, na forma de um túnel de figueiras centenárias.
- Parque dos Ipês: principal área de lazer da cidade, com teatro municipal, pista de caminhada e quadras poliesportivas.
- Praça Toshinobu Katayama: homenagem à comunidade japonesa, com paisagismo e esculturas de inspiração oriental.
- Figueiras da Rua Presidente Vargas: árvores centenárias tombadas pela Lei Municipal 75 de 1985, formando o famoso túnel verde do centro.
- Feira Central: mercado aberto aos fins de semana com produtos locais, restaurantes e bancas de sobá e doces regionais.
Como é o clima ao longo do ano?
Dourados tem clima tropical, com verão quente e chuvoso e inverno ameno e seco. Algumas noites de julho surpreendem com frentes frias que derrubam a temperatura para perto de 10°C.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar e se conectar ao resto do país?
A cidade fica a 225 km de Campo Grande pela BR-163, em um trajeto de cerca de três horas por rodovia asfaltada. Também conta com o Aeroporto Municipal Francisco de Matos Pereira, que opera voos para a capital do estado e para São Paulo. A proximidade do Paraguai faz da cidade um dos principais corredores de entrada e saída do Mercosul no Centro-Oeste.
Viva a cidade que cresceu sem perder o jeito de interior
Em menos de um século, Dourados saiu de um distrito rural para se tornar a capital econômica e universitária do sul do Mato Grosso do Sul. Mesmo assim, ainda é a cidade onde vizinhos compartilham tereré na calçada, a feira de sábado dura até a manhã de domingo e as figueiras centenárias seguem protegidas por lei.
Você precisa conhecer Dourados e entender como uma cidade pode crescer rápido sem abrir mão das raízes que a formaram.