A 25 km do centro de Florianópolis, a Praia do Forte reúne 1,3 km de areia clara, mar sem ondas e uma fortificação colonial tombada. O nome oficial é outro, mas ninguém usa.
Por que chamam de Praia do Forte se o nome é outro?
O nome de batismo é Praia da Ponta Grossa, em referência ao morro que marca o extremo norte da Ilha de Santa Catarina. O costume local apagou o registro oficial e consagrou o apelido por causa da fortaleza colonial que domina o canto direito da areia.
Encaixada entre Jurerê Internacional e a Praia da Daniela, é um dos poucos cantos do norte da ilha onde a urbanização não tomou conta. A maior parte das casas pertence a descendentes dos moradores que ergueram a fortificação no século XVIII, segundo levantamento histórico do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
A fortaleza colonial que nunca disparou em combate
A construção começou em 1740 por ordem do brigadeiro José da Silva Paes, primeiro governador da Capitania de Santa Catarina. A Fortaleza de São José da Ponta Grossa formava um triângulo defensivo com as fortalezas de Anhatomirim e Ratones, projetado para barrar invasões pela Baía Norte da ilha.
Em 1786, as muralhas abrigavam 31 canhões distribuídos em três baterias. A curiosidade é que, segundo registros históricos, o sistema nunca foi acionado em batalha real. Tombada pelo IPHAN em 1938, ficou em ruínas até a restauração concluída em 1992 pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que administra o conjunto até hoje.
O vídeo do canal “Casal Maravilha Pelo Mundo” apresenta a Praia do Forte, em Florianópolis, um destino conhecido por suas águas tranquilas e cristalinas.
O que fazer na areia e no morro da Ponta Grossa?
O passeio combina banho de mar tranquilo pela manhã e visita histórica à tarde. A trilha curta que sai do canto direito da areia leva ao topo do morro em poucos minutos.
- Casa do Comandante: sobrado de dois pavimentos com exposição permanente sobre a vida cotidiana na fortaleza colonial.
- Capela de São José: única edificação do sistema defensivo da ilha que mantém a função religiosa original e ainda recebe celebrações.
- Bateria de São Caetano: pequena fortificação anexa erguida em 1765 com seis canhões para reforçar a defesa da costa leste.
- Mirante das muralhas: vista que alcança a Ilha de Anhatomirim e os morros de Governador Celso Ramos, voltada para o pôr do sol.
- Quartel da Tropa: antigo alojamento dos soldados, hoje ocupado por rendeiras que produzem renda de bilro artesanal.
Onde comer com os pés na areia?
A faixa de restaurantes do Forte é discreta, com mesas montadas direto na areia. A pesca do dia chega das comunidades vizinhas e as ostras vêm de fazendas marinhas próximas.
- Ostras frescas: cultivadas nas fazendas marinhas do Ribeirão da Ilha, no sul da ilha, e servidas in natura ou gratinadas.
- Peixe grelhado com pirão: receita caiçara tradicional, acompanhada de farofa e arroz branco.
- Camarão na moranga: clássico catarinense que aparece nos quiosques mais estruturados da praia.
- Caldo de peixe: pedida das tardes mais frescas, feito com o tempero da pesca recente.
Qual a melhor época para visitar a Praia do Forte?
O verão concentra a temporada de banho, com mar morno e dias longos. O outono e o início da primavera oferecem o melhor equilíbrio entre clima ameno e baixa lotação para explorar a fortaleza.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Praia do Forte?
Saindo do centro de Florianópolis, o trajeto segue pela SC-401 sentido norte da ilha por cerca de 25 km, com saída no km 13 rumo a Jurerê. A viagem dura cerca de 40 minutos sem trânsito e há estacionamento próximo à areia.
Por transporte público, a rota usa as linhas que partem do Terminal de Integração do Centro (TICEN) com baldeação no Terminal de Santo Antônio de Lisboa (TISAN). A fortaleza fica aberta diariamente das 8h30 às 18h30.
Vá conhecer o canto histórico do norte da ilha
A Praia do Forte é o ponto raro de Floripa onde se toma banho de mar pela manhã e se caminha entre canhões coloniais à tarde. A combinação de areia clara, vila preservada e patrimônio do século XVIII não se repete no resto da ilha.
Você precisa subir o morro da Ponta Grossa pelo menos uma vez para entender por que os portugueses escolheram exatamente esse ponto para defender Santa Catarina inteira.